Artesanato e Turismo

Nisiene Roberta Harzke Gomes[1] Poliana Fabíula Cardozo[2]

publicado originalmente em 20/03/2009 como <www.partes.com.br/turismo/poliana/artesanatoeturismo.asp>

 


Poliana Fabiula Cardozo é bacharel e Mestre em Turismo (Unioeste/UCS), doutoranda em Geografia (UFPR). Docente da disciplina de Planejamento e Organização do Turismo para a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Irati, Pr) e pesquisadora na modalidade continuada na mesma IES.

O artesanato é um fator relevante para o turismo, pois quando um turista visita uma localidade, ele não só tem necessidades como alimentação, hospedagem e transporte, mas também, deseja levar consigo uma lembrança do local visitado, a qual pode ser representada pelo artesanato.

De acordo com o Decreto n. 83.290, 13 de março de 1979, artesanato é uma atividade complementada ou não por intermédio de ferramentas ou máquinas, da transformação de matérias-primas naturais ou recicladas, na qual o produtor exerce sua criatividade, preserva sua identidade cultural e objetiva atendimento ao mercado consumidor. (DECRETO 83.290, 1979 apud PARANÁ, ARTE NOSSA, 2008, S/P).

Já o SEBRAE-AP (2005, apud CAVALCANTE, MARTINS E PEDROSO, 2007) menciona que o artesanato pode ser definido como a execução de hábito manual, com ou sem ajuda de ferramentas e mecanismos caseiros, que as pessoas dão às matérias brutas, sobras e lixo de consumo industrial, visando produzir peças utilitárias, artísticas e recreativas, com ou sem fim comercial.

Independentemente das definições expostas sobre o artesanato, pode-se entender que este é uma forma de valorizar o trabalho de quem o confecciona, contribuindo para que o produtor possa mostrar sua criatividade. É uma atividade essencialmente manual que na maioria das vezes não necessita da contribuição de máquinas industriais.

De acordo com Horodyski e Ruschmann (2007), a valorização das técnicas de produção artesanal é de suma importância para que o artesão não desista da sua tradição para ir em busca de outra, de maior comercialização. Ainda nesse contexto, a produção artesanal em maior escala não anula seu valor como patrimônio cultural, sendo que o artesanato pode ser produzido em quantidades maiores sem ser descaracterizado.

O SEBRAE/AP (2005, apud CAVALCANTE, MARTINS E PEDROSO, 2007) explana que a produção artesanal é ao mesmo tempo uma atividade econômica e uma manifestação ideológica e cultural de um amplo setor da população. Do ponto de vista econômico, o artesanato está imerso na crise agrícola de autossubsistência, que obriga ao artesão diversificar a sua fonte de renda com outras atividades. O artesanato na região rural pode ser assim uma atividade para o complemento da renda familiar. Nas zonas urbanas encontram-se dois tipos de artesãos: os de tempo completo, que dependem exclusivamente da produção artesanal mais perto da imagem do operário/empresário que da imagem típica do artesão que trabalha somente com ferramentas manuais e elabora produtos rústicos com materiais locais; o outro tipo de artesão urbano é aquele que não depende da produção artesanal como forma de subsistência, tendo outras formas de renda alternativa.

O artesanato pode ser um atrativo tanto para a comunidade local quanto para os turistas compondo assim uma forma de oferta turística, sendo agregado a outras modalidades de oferta que estão presentes no turismo cultural sem desligar-se da identidade local.

Em um primeiro momento, para que a oferta turística possa ser melhor compreendida, Bahl (2004) menciona a mesma como matéria-prima para composição dos produtos turísticos, pois seus elementos associados sob diversas formas podem conformar vários produtos que serão comercializados a determinado preço, como o artesanato por exemplo.

Nesse sentido, Beni (2002) define a oferta turística como conjunto de equipamentos, bens e serviços de hospedagem, alimentação, de recreação e lazer, de caráter artístico, cultural, social dentre outros, capazes de atrair públicos visitantes numa determinada região e período de tempo.

De acordo com Renaux (1972 apud BENI 2002), a oferta constitui um fator determinante de uma demanda turística, podendo essa relação ser considerada como modelo de zona receptora e emissora. Dessa feita, a oferta é constituída de elementos tangíveis e intangíveis e não somente de um produto determinado.

Esses elementos tangíveis e intangíveis citados por Renaux (1972 apud BENI 2002) são os que podem ser tocados como, por exemplo, um prato típico, peças artesanais, roupas de danças típicas, dentre outros, e os que não podem ser tocados como o saber-fazer dos pratos, danças, artesanato, memórias de um povo e costumes. Esses bens tangíveis e tangíveis são fatores componentes da oferta turística de uma determinada localidade.

Para Beni (2002), existem dois tipos de oferta turística: a original ou atrativos turísticos primários, e a agregada. O autor ainda explica que os elementos turísticos primários de um país, são os bens livres e particularmente, os concernentes ao patrimônio turístico, provenientes da natureza ou dos legados histórico-culturais.

O segundo grupo é chamado de oferta agregada, ou oferta turística derivada, composta pelos transportes, alojamento, lazer e recreação, pelos organizadores de viagens e pelas agências de viagens. Ela não pode satisfazer a demanda, a não ser que haja combinação entre os diversos fatores da oferta derivada e da oferta original. (BENI, 2002).

No caso do trabalho em questão, tem-se o artesanato como parte integrante da oferta turística original.

De acordo com Santana (19–), o turista viaja com uma série de expectativas sobre o destino e, dentre elas, pode-se identificar algumas de índole cultural, como: tradições, gastronomia, artesanato, arte, arquitetura e até mesmo os elementos da história, música, dentre outros. Tendo o artesanato como uma dessas expectativas, o turista quando adquire esses produtos artesanais, está levando consigo parte da cultura do local visitado. Por isso, Santana (19–), afirma que pelas características próprias da viagem, é necessário que o objeto adquirido seja de fácil transporte e que se adapte às condições do comprador, ou seja, o turista.

Por esse motivo, as pessoas que produzem o artesanato devem estar atentas à estes aspectos, uma vez que os turistas viajam com expectativas de encontrar algo que lhes agradem e para que possam levar consigo uma recordação do local visitado.

Referências Bibliográficas

BAHL, Miguel. Legados Étnicos e Oferta Turística. Curitiba: Juruá, 2004.

BENI, Mário C. Análise Estrutural do Turismo. 7 ed. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2002.

CAVALCANTE, Nayara Sá.;MARTINS, Ieda Rodrigues F.; PEDROSO, Jonseliudo de Souza; A cultura amapaense expressada através do artesanato. Amapá, 2007.

HORODYSKI, Graziela S.; RUSCHMANN, Doris Van de M. Artesanato dos Campos Gerais do Paraná. Revista eletrônica de turismo cultural, n.01, 2007.

SANTANA, Agostín. ¿Nuevas hordas, viejas culturas?:La antropologia y el turismo. (mimeo) 19–

Fonte eletrônica

PARANÁ. ARTE NOSSA. Disponível na internet. http://www.artenossa.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=25 Acessado em 20/08/2008

 

[1] Bacharel em turismo. Aluna especial do Mestrado em Geografia da Universidade Estadual de Ponta Grossa.  nisiturismo@hotmail.com

[2] Bacharel e mestre em turismo, doutoranda em geografia da Universidade Federal do Paraná. Docente e pesquisadora da Universidade Estadual do Centro-Oeste. polianacardozo@yahoo.com.br

partes15 Autor