Gilberto da Silva
publicado em 01/05/2008
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As palavras fluem num lapso, num canto, num rabiscar de traços irônicos, sutis ou nem tanto. Estão todas alinhadas em quase poemas concretos, libidinosos, cortantes até ou versos assim curtos ou nem sempre formatados ou não.Obra que caminha na perspectiva da desconstrução do modelo mercadoria imposto pelo capitalismo tardio e espetacular, na crítica do consumo fácil, da descartabilidade, da desconstrução das letras impostas pelo culto, insonsas, meladas tradicionais campos de lácios.
Este livro é quase um Barbosa na seleção, um Barbosa pós derrota, um Telê que joga e treina um Doval (Bolachas na Trave, p. 58) que preferiu continuar gringo argentino curtindo as pernas e curvas das cariocas. Zeh-quase- Augusto teima em ser Dumas negado. Anti-espetáculo, anti-mercado e o Zeh – quase – Augusto Dumas. Perfeitas palavras em transformação, desacomodadas, mas não descuidadas. Lendo o livro, que não é nenhum calhamaço – deparamos com poemas ardentes, linhas cortantes, enredo sem pretensão de ser tudo. É quase. Sim é para ler num quase dia, numa mesma quase hora, num quase acasalamento. mas é para ler e não deixar de lembrar que não somos tudo (ainda?). “As pessoas já não fazem cara de nuvens (p.65) então refaçamos o convite para o leitor deixar de ser máquina e aprofundar no lirismo de uma perspectiva quase.
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