Revista Partes http://partes.com.br A sua revista virtual Sun, 25 Jun 2017 02:09:24 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.8 http://partes.com.br/wp-content/uploads/2017/06/cropped-logo_subs25-32x32.jpg Revista Partes http://partes.com.br 32 32 Os filhos de Bach http://partes.com.br/2017/06/20/os-filhos-de-bach/ http://partes.com.br/2017/06/20/os-filhos-de-bach/#respond Tue, 20 Jun 2017 15:28:58 +0000 http://partes.com.br/?p=16975

 

OS FILHOS DE BACH

            (Alemanha-Brasil-2017)

                Nair Lúcia de Britto

Trata-se de uma coprodução Alemanha/Brasil, que mostra o encontro de pessoas de culturas e costumes bem diferentes que acabam se compreendendo e se unindo através da música. As cenas se intercalam entre o drama e a comédia.

É o primeiro filme dirigido pelo alemão Ansgar Ahles, em que ele defende a música como um instrumento poderoso de interação entre as culturas e a superação de dificuldades. Um dos fatores que mais o impulsionaram  a realizar esse trabalho foi sua paixão pelo Brasil.

Foram oito anos para que esse trabalho se concretizasse de fato, mas a espera valeu pelos três prêmios que o diretor já recebeu.  A inspiração para o roteiro surgiu em 2007, numa visita ao Caje, em Brasília; e interessou-se por um projeto social desenvolvido por Heliana Viana, chamado “Adolescente Nota Dez “, no qual atividades musicais faziam parte do processo de ressocialização de jovens apreendidos. Para Heliana, a música tem o poder de levar esses jovens à sua origem, isto é,  a forma pura como eles nasceram; fazendo-os reencontrar-se com eles mesmos e recomeçar um novo caminho.

A partir dessa ideia Ansgar, quis reforçar o pressuposto de que a música tem realmente o poder de transformar as pessoas em seres melhores.

O filme narra a história de Martin (Edgar Selge), um professor de música aposentado, que já esteve no auge da fama, mas que com o passar dos anos se sente fracassado  e sem perspectivas. Sente-se ainda mais desanimado quando recebe a notícia do passamento de um amigo que vivia no Brasil e seu parceiro nos momentos de glória.

A dor da perda do amigo, porém, é suavizada por uma herança inesperada: uma partitura original do ilustre Johan Sebastian Bach. O documento encontrava-se na cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, no Brasil; e Martin não vê outra alternativa senão vir ao Brasil, em busca do seu tesouro.

Ao chegar no Brasil, o musicista passa por uma série de dificuldades, inclusive em entender o idioma. Mas é ajudado pelo mineiro Cândido (Aldri da Anunciação), um morador da cidade; que o leva a adaptar-se à rotina brasileira e ainda o incentiva a ensinar música às crianças carentes da cidade.

Aos poucos Martin recupera a alegria de viver, o prazer de novamente dar aulas; e ver como suas aulas são capazes de mudar o destino daquelas crianças para um futuro bem melhor!

A trilha sonora do filme mostra os grandes sucessos de Bach; muitos deles tocados num ritmo de chorinho, samba, jazz e batucada. Adaptações que foram especialmente feitas para esse filme.

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Para que serve, afinal, o ensino de História? http://partes.com.br/2017/06/20/para-que-serve-afinal-o-ensino-de-historia/ http://partes.com.br/2017/06/20/para-que-serve-afinal-o-ensino-de-historia/#respond Tue, 20 Jun 2017 15:08:50 +0000 http://partes.com.br/?p=16976
Daniel Medeiros, doutor em Educação Histórica pela UFPR e professor de História no Curso Positivo
Crédito: Divulgação

Daniel Medeiros*

Para entender.

Entender por que tivemos habitantes nesse território há milhares de anos e só termos sido “descobertos” em 1500; entender por que havia milhões de habitantes nas primeiras décadas após o tal “descobrimento” e depois disso ficaram restritos a algumas dezenas de milhares; entender por que é comum falar em “descobrimento do Brasil” se não havia um “Brasil”; entender por que os negros e os índios “contribuíram” na formação da sociedade brasileira se, em boa parte da história após o “descobrimento”, essas populações formavam a maior parte da população; entender por que Domingos Calabar foi o primeiro “traidor” da pátria se ele viveu em uma época na qual o território que hoje é parte do Brasil pertencia à Espanha e estava sob domínio holandês.

Entender por que D. Pedro I era português e nobre e foi a pessoa que trouxe a “independência” ao Brasil; entender por que, logo depois, ele fecha a constituinte e impõe um texto feito sob encomenda, manda matar seus desafetos, envolve o país em uma guerra inútil com a Argentina, arruína a economia nacional, é praticamente expulso e , até hoje, seu nome é lembrado em um feriado nacional; entender por que seu filho, D. Pedro II, manteve a escravidão por 48 dos 49 anos que governou e, mesmo assim, é conhecido como um sábio; entender por que a República não teve participação popular; por que uma das primeiras medidas do governo de Deodoro foi censurar a imprensa; por que, durante a República Velha, a questão social “era um caso de polícia”; por que Getúlio Vargas é lembrado e homenageado mesmo tendo sido um ditador sombrio e violento na maior parte de  seu governo; entender por que, na primeira experiência democrática do país, entre 1946 e 1964, dos cinco presidentes, um se matou, outro renunciou e outro foi derrubado.

Entender por que Castelo Branco assumiu prometendo uma transição rápida e os militares ficaram 21 anos no poder; entender por que a lei de anistia passou, apagando também os crimes dos torturadores; entender por que as Diretas Já não foram nem para votação, depois de milhões de pessoas terem dito “queremos votar pra presidente”; entender por que os planos econômicos de Sarney e Collor não deram certo e ninguém foi responsabilizado por isso; entender  por que os preços pagos pelas estatais vendidas no governo Fernando Henrique foram tão baixos; entender por que o PT prometeu um governo ético e caiu na vala comum das transações mesquinhas.

O entendimento é a razão de se ensinar e aprender História. Entendimento que passa a funcionar como orientador em relação ao futuro. Chave de compreensão e definição de posturas. Afinal, estamos no mundo para mantê-lo e para transforma-lo. E, para isso, precisamos entender o que se passou até aqui. Como quem chega a um filme começado. Como quem chega atrasado em uma reunião. Como quem não estava prestando atenção e por isso perdeu uma oportunidade importante. A História é esse resgate e, ao mesmo tempo, esse roteiro. Entender o que se passou para compreender a bagunça do presente e balizar as ações. Por que o agir é a razão de existir no espaço público. E o agir é a Política. E para agir é preciso entender. E por isso é que é tão importante o ensino da História. Simples assim.

 

* Daniel Medeiros, doutor em Educação Histórica pela UFPR e professor de História do Brasil no Curso Positivo

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Deletar a Cracolândia não é solução http://partes.com.br/2017/06/20/deletar-a-cracolandia-nao-e-solucao/ http://partes.com.br/2017/06/20/deletar-a-cracolandia-nao-e-solucao/#respond Tue, 20 Jun 2017 15:04:12 +0000 http://partes.com.br/?p=16971
Ipojucan Calixto Fraiz, médico e doutor em Sociologia
Crédito: Divulgação

Ipojucan Calixto Fraiz*

No filme Estamira, uma portadora de transtorno de saúde mental vive da coleta do que pode ser aproveitado do monturo de coisas que a sociedade de consumo rejeita. As cores de Estamira se confundem com as cores das montanhas de lixo, mas o seu discurso desviante denuncia as contradições da norma social. Essas observações podem servir para uma reflexão sobre o tratamento que se tem dado ao que se convencionou chamar de Cracolândia. Tratar aquele espaço como um depósito de gente e tentar retirar da paisagem a desarmonia da Cracolândia, por meio de destruição e demolição, pode assemelhar-se à ideia de que o lixo deve ser afastado dos nossos olhos.

cena de Estamira

Da mesma forma que nossa sociedade, pautada na racionalidade do consumo, produz excedentes que vão para o lixo, queremos esse lixo longe da nossa rua. Podemos pensar que tratamos da mesma forma aqueles que, em não atendendo à razão de ser da sociedade, são considerados desviantes e devem ser excluídos da nossa convivência. Estamira está posta pela sociedade como um rejeito humano e a ela resta viver do lixo. Tratar os usuários ou dependentes de uma droga chamada crack (que, aliás, não foram eles que inventaram) como rejeito social é buscar a forma mais grave de violência que o Estado pode fazer, que é a supressão do sujeito e de seus direitos. Buscar na Justiça autorização para internação compulsória de forma indiscriminada é tentar dar ao Estado a possibilidade do domínio pleno sobre os indivíduos. Isso só se justifica se negarmos as subjetividades, retirarmos todos os direitos humanos e tratá-los como objetos.

Sabemos que o tema é complexo, mas a sociedade não pode dar ao Estado delegação para reduzir as pessoas à categoria de problema ou de lugar indesejável e excluí-las da paisagem. Ocorre que, no Brasil, a sociedade está cada vez mais servindo ao Estado e não o contrário, como é de se esperar. Cabe às políticas públicas encontrar soluções que atendam aos interesses de toda a sociedade, mas em particular a cada um dos sujeitos envolvidos. A solução é complexa, mas é possível. Deve-se partir do princípio inalienável de que os direitos de todos devem ser preservados. Assistir, escutar e apoiar vêm antes de reprimir, excluir e retirar direitos.

A Política Nacional de Saúde apresenta mecanismos adequados de abordagem dos transtornos mentais e da dependência de drogas. Porém, cabe aos poderes locais a responsabilidade de mobilizar competências de gestão que permitam tratar o problema de forma respeitosa e humana e não buscar, por atalho, soluções drásticas que, além de nada resolverem, acentuam a exclusão social e a marginalização daqueles que já estão à margem. A insensibilidade dos que chegaram ao poder e o exercem pode levar a soluções autoritárias, como por exemplo transformar o instituto da internação compulsória em regra. Qualquer um de nós pode estar nas mãos de um Estado autorizado a cercear direitos fundamentais da condição humana, mas, por enquanto, é urgente olharmos por aqueles que, por serem os mais vulneráveis, serão os primeiros a voltar aos antigos manicômios, que querem reinstalar. Teremos uma reedição da realidade descrita por Daniela Arbex no livro Holocausto Brasileiro se não soubermos colocar ao Estado os limites que a cidadania em cada um de nós exige.

 

Ipojucan Calixto Fraiz, médico e doutor em Sociologia, é professor do curso de Medicina da UFPR e da Universidade Positivo (UP).
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Orçamento base zero http://partes.com.br/2017/06/20/orcamento-base-zero/ http://partes.com.br/2017/06/20/orcamento-base-zero/#respond Tue, 20 Jun 2017 14:55:26 +0000 http://partes.com.br/?p=16968
Andriei Beber
Divulgação

Por Andriei José Beber, professor doutor da IBE-FGV

Heráclito é considerado um dos mais importantes filósofos pré-socráticos. Nasceu em Éfeso, por volta de 540 a.C. Tornou-se conhecido como o “pai da dialética”. É dele uma das mais importantes contribuições filosóficas do mundo antigo: “nada é permanente, exceto a mudança”. Utilizando o exemplo de um rio, Heráclito ilustrou sua teoria: ninguém se banha duas vezes no mesmo rio. Por meio desse exemplo, ele quis dizer que, no instante em que se entra em um rio, águas novas imediatamente substituirão aquelas nas quais a pessoa imergiu.

 

Entretanto, ainda assim, o próprio rio é sempre descrito como coisa fixa e imutável. Em razão da crise econômica que o Brasil atravessa, a escassez de recursos públicos torna-se mais intensa, exigindo soluções para seu melhor aproveitamento. Adverte o professor Delfim Netto que o orçamento federal, assim como todos os orçamentos no Brasil, tem caráter geológico. Ele assevera que, para estar no orçamento desse ano, basta que o gasto tenha figurado no orçamento do ano anterior, que por sua vez foi “carregado” do ano que o precedeu, por indução regressiva. Essa falta de flexibilidade do orçamento pode inibir a inovação e a criatividade.

 

O Orçamento Base Zero (OBZ) é uma ferramenta estratégica utilizada na elaboração do planejamento orçamentário para um determinado período a partir de uma base zerada, ou seja, sem levar em consideração as receitas, custos, despesas e investimentos de exercícios anteriores, a famosa “base histórica”. Empregando a experiência desenvolvida pela empresa Texas Instruments, o então governador do estado da Geórgia e posteriormente presidente dos EUA, Jimmy Carter, implantou, em 1973, a técnica do OBZ no setor público. Por meio desse conceito, não há “direito adquirido” no orçamento.

 

Diferentemente do orçamento tradicional (incremental), ao forçar as atividades a serem classificadas de acordo com a prioridade, o OBZ fornece uma base sistemática para a alocação de recursos, exigindo que cada atividade seja justificada a partir da análise custo-benefício. Cada despesa é tratada como uma nova iniciativa e, a cada ano, é necessário provar as necessidades de orçamento, competindo com outras prioridades e projetos. O OBZ amplia a visão estratégica dos gestores da organização. Além disso, auxilia na identificação de orçamentos inflados, elimina processos que não agregam valor, aumenta a motivação dos gestores ao oferecer maior autonomia e responsabilidade no processo decisório, aperfeiçoa a coordenação e a comunicação. A ênfase é na eficiência, não se preocupando com as classificações orçamentárias, mas com o porquê de se realizar cada despesa.

 

Um equívoco muito comum é a crença que o OBZ se aplica, exclusivamente, aos gastos e despesas.  Contrariamente, permite benefícios em qualquer etapa da gestão orçamentária. Todavia, como toda ferramenta estratégica, a necessidade de grande envolvimento dos gestores pode constituir-se em uma limitação. Ao reconstruir do zero, a cada ano, tende a tornar-se um processo oneroso, complexo e demorado, cujo sucesso, em alguns casos, é hipotético. Permanece, não obstante, o ensinamento de Heráclito, “tudo muda”. E o orçamento também deve mudar.

 

 

Andriei José Beber é professor doutor da IBE-FGV, especialista nas áreas de Finanças, Gestão e Governança.

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Hello world! http://partes.com.br/2017/06/08/hello-world/ http://partes.com.br/2017/06/08/hello-world/#comments Thu, 08 Jun 2017 20:42:17 +0000 http://partes.com.br//?p=1 Welcome to WordPress. This is your first post. Edit or delete it, then start writing!

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6 bons motivos para adotar uma cultura de ruptura digital http://partes.com.br/2017/06/06/6-bons-motivos-para-adotar-uma-cultura-de-ruptura-digital/ http://partes.com.br/2017/06/06/6-bons-motivos-para-adotar-uma-cultura-de-ruptura-digital/#respond Tue, 06 Jun 2017 12:04:03 +0000 http://partes.com.br/?p=16267 uber

6 bons motivos para adotar uma cultura de ruptura digital

Glenn Johnson (*)

glenjohnsonVivemos em um mundo de cabeça para baixo que, de repente, é pós-moderno e muito mais. Antigas ideias de como fazer negócios estão batendo de frente com novos modelos de negócios e paradigmas de tecnologia em rápida mudança e que ameaçam o pensamento tradicional, com barreiras ocultas, delírios digitais e muito mais.

Um mundo, aparentemente sem barreiras, está empurrando todos para a ruptura digital. Líderes e organizações de negócios inteligentes e visionários estão aproveitando esta oportunidade sem precedentes para impulsionar oportunidades escondidas neste universo em transformação.

Eu gostaria de listar 6 bons motivos para se preparar para ruptura digital:

1. Modelos de negócios deixaram de ser lineares – Empresas como Uber e Airbnb demonstram que compradores e vendedores já não precisam ser conectados por um modelo linear de vendas, mas através de uma rede infinita. As tecnologias digitais que conectam dispositivos móveis e plataformas de aplicativos da Internet estão criando redes de compradores e vendedores em tempo real que ignoram a camada intermediária de distribuição e reduzem radicalmente o custo e melhoram o serviço.

2. Paradigmas tecnológicos agora são descentralizados – O conceito do computador mainframe era o de fornecer uma grande fonte única de computação, para atender a uma única organização. A Internet, a Mobilidade, os serviços em Nuvem e a Clusterização de Alta Disponibilidade aumentam exponencialmente o potencial informático e a eficácia dos processos de negócios nas  organizações que aproveitam as capacidades e reconhecem o que é real.

3. Romper barreiras ocultas que devastam a capacidade de resposta – Em uma época em que as empresas necessitam ser absolutamente ágeis e receptivas, elas estão descobrindo barreiras escondidas intrínsecas às tecnologias ultrapassadas que impedem a competitividade e reduzem a capacidade de resposta às exigências do mercado e às necessidades dos clientes.

4. Delírios digitais estão atrapalhando negócios em modelos legados antigos – Muitas empresas estão se apaixonando por vendedores que tentam vestir a camisa da velha tecnologia como parte de uma nova tendência que deveria levar à transformação digital, quando, na realidade, promove o bloqueio do fornecedor e reduz a agilidade. Reconhecer essas delírios digitais e barreiras ocultas é essencial para desbloquear o verdadeiro potencial de uma economia digital pós-moderna.

5. São infinitas as capacidades, a custo zero – Quando modelos e missões de negócios se alinham para criar redes em tempo real orientadas a serviços, a infraestrutura entrega capacidades infinitas a um custo quase zero. Emparelhar aplicativos móveis com servidores de aplicativos em nuvem e alavancar a infraestrutura de TI central existente, em configurações recém-integradas, pode ignorar modelos de custos tradicionais e acelerar fluxos de receita exponencialmente. As possibilidades estão lá em quase todos os tipos de negócios, você só tem que ser capaz de ver como desmontar o que você tem e recompor usando os novos paradigmas.

6. Idéias simples são as melhores –  O Twitter é basicamente a capacidade de enviar mensagens de texto ou SMS para mais de uma pessoa de cada vez. O Snapchat é a capacidade de compartilhar fotos sem armazená-las. O Uber é o agrupamento de motoristas condutores sem possuir frota própria. O Google é a capacidade de procurar e encontrar qualquer coisa na Internet. As melhores idéias são incrivelmente simples e podem ser expressas em apenas algumas palavras: que idéia irá digitalmente provocar a ruptura de uma indústria?

(*) Glenn Johnson (@glenn4pr) é Vice Presidente Sênio da Magic Software Enterprises Americas.

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A cidade na viagem do olhar http://partes.com.br/2017/06/06/a-cidade-na-viagem-do-olhar/ http://partes.com.br/2017/06/06/a-cidade-na-viagem-do-olhar/#respond Tue, 06 Jun 2017 11:31:21 +0000 http://partes.com.br/?p=16236 praa-das-artes

A cidade na viagem do olhar
Por Almandrade

 

pelourinho1As cidades são tristes quando uma curiosidade, uma presença, ou um lugar não aquece a solidão de quem vive a abstração da vida cotidiana. Nada tem sentido. A falta sempre remete a uma espécie de deserto que desorienta o viajante solitário de seu próprio espaço. – Será que as cidades deveriam ser habitadas por imagens que desejamos e por imagens poéticas? “Mas o desejo, a poesia, o riso fazem necessariamente a vida deslizar no sentido contrário, indo do conhecido ao desconhecido”. (Bataille) – Enfrentar o desconhecido é uma tarefa difícil para o homem, principalmente quando ele vive em cidades hostis ao mundo do conhecimento.

 A publicidade faz a imagem da cidade, como se a natureza fosse uma imitação de uma outra natureza. A arquitetura não é mais arquitetura, é imagem de out-door. A festa faz o paraíso urbano e uma música medíocre anuncia o Carnaval, esta intervenção autoritária que desapropria a vida da cidade, para aqueles que não têm o direito de opinar contra a festa.

 bahianosA cidade é a multidão que troca de imagem segundo a moda. Mas tem a imagem que permanece na memória, como objeto da paixão para o apaixonado. Pensei em Walter Benjamin e o Diário de Moscou: o olhar apaixonado de um filósofo sobre uma cidade: “Naquela manhã sentia-me com uma energia e por isso consegui falar de maneira sucinta e calma sobre minha permanência em Moscou e sobre suas perspectivas imensamente reduzidas”. Uma relação de paixão compartilhada com o conhecimento das imagens percebidas de uma cidade.

 Da janela, contemplei a rua como um voyeur de cidade. O trânsito, a publicidade, a multidão, o centro histórico. Os monumentos e a arquitetura eram objetos para as câmeras fotográficas de turistas, como cenários sem data. Sem a imaginação o passado é a imagem engraçada, um efeito especial do cotidiano, onde tudo é repetitivo. A história, neste caso, não passa de uma mercadoria para um olhar carente de um lazer cultural. “A era faustuosa da imagem e dos astros e das estrelas está reduzida a alguns efeitos de ciclone e terremotos artificiais, de falsas arquiteturas e de truncagens infantis com que as multidões fingem deixar-se empolgar para não sofrer uma decepção amarga demais” (Baudrillard).

almandrade
Almandrade é artista plástico, poeta e arquiteto.

Por outro lado, a singularidade de um espaço, de um monumento ou de uma arquitetura fascina o viajante. É como as imagens poéticas que provocam o desejo de olhar e de viver um estado de deslumbramento. Mas as imagens não são totalmente transparentes que se revelam a qualquer olhar sem reflexão: elas provocam a imaginação e exigem um olhar atento, com um repertório de referências. Isto é, uma sensibilidade capaz de perceber nas imagens suas histórias e suas verdades, mesmo que seja uma sensibilidade marcada pela paixão de uma imagem.

Almandrade

(artista plástico, poeta e arquiteto)

Fotografías: “O Peló” y “Bahianos danzando capoeira” (San Salvador de Bahía, Brasil) de Iris Pérez Ulloa.

 

Publicado originalmente como em Revista Partes – Ano V – 06/09/20012

www.partes.com.br/cultura/acidade.asp

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O país da corrupção http://partes.com.br/2017/06/05/o-pais-da-corrupcao/ http://partes.com.br/2017/06/05/o-pais-da-corrupcao/#respond Tue, 06 Jun 2017 02:37:29 +0000 http://partes.com.br/?p=16143

“Se os homens são puros, as leis são desnecessárias;
se os homens são corruptos, as leis são inúteis.”

(Thomas Jefferson)

Por Tom Coelho
tomcoelhoLaja-Jato, presidente e ex-presidentes, senadores, deputados, empresários. O cenário atual nos passa a impressão de que a corrupção e a falta de ética estão associadas exclusivamente ao cenário político-econômico. Infelizmente, isso não é verdade. Estas são características desta nação e a única forma de mudança é através da educação. Quer exemplos? Então vamos lá.

Em um final de semana fui ao cinema com minha família. A fila era extensa, tanto que levamos mais de 30 minutos para adquirir os ingressos. Havia uma fila preferencial para idosos, pessoas com deficiência e gestantes. De repente, aparece um casal com três filhos, sendo o mais jovem com cerca de 5 anos de idade. Eles deveriam usar o acesso especial? Evidentemente não, mas o fizeram. Minutos depois, surge outro casal na mesma fila. Ao ser chamado, o pai pega o filho com cerca de 6 anos no colo apenas para se justificar. E o pior é que a funcionária no caixa, ao invés de recusar o atendimento, prosseguiu, enquanto o gerente da unidade também não tomou nenhuma providência. Quero salientar que nenhuma das crianças envolvidas aparentava qualquer necessidade especial.

Em uma viagem recente usei um táxi para me deslocar. Em nosso diálogo, o motorista me contou que atendeu um grupo de executivos que, ao final da viagem, questionaram se ele poderia fazer alguns “recibos extras” que usariam posteriormente para obter reembolso, pois usariam o valor para ir a baladas noturnas. E, claro, ofereceram ao taxista uma comissão de 20% sobre o valor de cada documento emitido. Aquele taxista recusou o pedido, mas tenho convicção de que outros não devem ter adotado o mesmo procedimento.

Levei minha filha de 7 anos de idade a uma loja para fazer a troca de um brinquedo. Após sairmos, ela comentou: “Papai, parece que tem uma caixa a mais dentro da sacola”. De fato, incluíram equivocadamente o item trocado dentro da embalagem. Imediatamente retornamos à loja e devolvemos o produto ao vendedor. Ao adotar este procedimento, ficou evidenciado para minha filha que devemos fazer o que é certo, e não o que nos convém.

A falta de ética está naqueles que usam o acostamento para ganhar alguns minutos e estacionam em vagas preferenciais. Está em quem adquire produtos pirateados porque o custo é menor. Está nas pessoas que fazem um acordo com um dentista ou médico pela não emissão de nota fiscal em troca de um desconto. Está naqueles que usam um CPF de terceiros para reduzir o imposto de renda a pagar. Está no jovem estudante que cola numa prova escolar…

O que estamos vivenciando é o reflexo de um triste padrão cultural. Somos uma nação hipócrita (não a única, evidentemente) que se queixa dos fatos quando os mesmos não nos beneficiam.

Vamos levar duas ou três décadas para mudar este status se iniciarmos mudanças a partir de agora. Tudo se reduz aos valores. Vamos continuar sendo o “país do jeitinho” ou quais valores pretendemos exaltar? Tais mudanças começam em casa, são apoiadas pela educação a partir do ensino fundamental e depois precisam ser disseminadas. Porém, não é o que estamos buscando, não é o que estamos fazendo.

Face ao exposto, peço-lhe que reflita sobre seus próprios comportamentos. Lembre-se de que caráter é sua essência, enquanto reputação é o que os outros pensam a seu respeito. Caráter é que o você faz quando ninguém está lhe observando.

Data de publicação: 05/06/2017

 

Tom Coelho é educador, palestrante em temas sobre gestão de pessoas e negócios, escritor com artigos publicados em 17 países e autor de nove livros. Contatos: atendimento@tomcoelho.com.br. Visite www.tomcoelho.com.br, www.setevidas.com.br e www.zeroacidente.com.br.
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O Filósofo que detestava os filósofos http://partes.com.br/2017/06/04/o-filosofo-que-detestava-os-filosofos/ http://partes.com.br/2017/06/04/o-filosofo-que-detestava-os-filosofos/#respond Sun, 04 Jun 2017 23:38:59 +0000 http://partes.com.br/?p=20942
Heráclito – Fonte:<http://www.portalheraclito.com.br/index.php/quem-somos.html

O FILÓSOFO QUE DETESTAVA OS FILÓSOFOS

Margarete Hülsendeger

A sabedoria é algo que quando nos bate à porta já não nos serve para nada.

Gabriel García Marquez

– Ele mereceu – disse a mulher.

– Cale-se! Você não sabe o que está dizendo. Ninguém merece uma morte dessas – respondeu furioso o marido.

Um sentimento de tragédia pairava sobre a praça principal e sendo Éfeso um grande centro urbano, dramas nunca faltavam, assim como espectadores ávidos em acompanhá-los. Nessa cidade, uma das mais importantes do mundo, poderia se encontrar de tudo, desde templos magníficos – como o de Ártemis –, até um comércio próspero e uma intensa atividade cultural. Para lá convergiam poetas, filósofos e estudiosos. Não havia limites para as riquezas que por ali circulavam, despertando em seus habitantes um sentimento de orgulho desmedido.

No entanto, nem todos viam a cidade e seus costumes de forma tão favorável. E um dos descontentes era, ironicamente, o objeto da atenção dos que se encontravam na praça no início daquela tarde.

– O cheiro é horrível – queixou-se outra mulher.

– Ele foi encontrado pela manhã e ninguém tocou no corpo – respondeu um vizinho. – Chamaram os sacerdotes para limpá-lo, mas, até agora eles não apareceram.

– Sacerdotes? Mas ele os detestava! Aliás, ele odiava todo mundo, por que não o enterram do jeito que está e acabam logo com isso? – quis saber a mulher.

O homem deu de ombros.

– Talvez porque, apesar do temperamento irascível, ele fosse muito conhecido.

– Ele tinha algum seguidor ou discípulo?

– Não. Vivia isolado nas montanhas e pelo que sei pouco vinha à cidade. Ele se alimentava apenas do que pudesse encontrar na floresta.

– Não entendo – insistiu a mulher. – Se era um filósofo, um estudioso, porque teimava em se comportar dessa maneira absurda?

O homem voltou a dar de ombros. A verdade é que ninguém nunca entendeu as motivações do morto.

Um pouco afastados encontravam-se dois jovens, que assim como todos, observavam estarrecidos a cena dantesca que ocorria diante de seus olhos. Eles tinham vindo de Mileto, especialmente, para conversar com o filósofo.

– Incrível! Tantas perguntas, tantos assuntos para discutir. Por essa eu não esperava – disse desolado o mais jovem dos dois.

– Nem eu – respondeu igualmente chocado, o mais velho.

– E agora o que faremos?

O rapaz mais velho afastou o olhar do corpo, já completamente coberto de moscas. O cheiro, a cada minuto, tornava-se pior e a visão era um pesadelo.

– Vamos sair daqui – disse nervoso. – Não aguento ficar olhando.

Os dois jovens, de braços dados, andaram pela cidade até que encontraram uma taberna aberta. Depois de pedirem uma jarra de vinho, sentaram-se em uma mesa na frente da tenda para decidir se valia a pena permanecer em Éfeso ou se deveriam retornar a Mileto.

Trêmulo o rapaz mais jovem tomou um gole de vinho.

– Será que vão queimá-lo? – perguntou em voz baixa.

– Não sei, mas tenho certeza que se pudesse escolher esse seria o seu último desejo. Afinal, para ele, o princípio de tudo era o fogo, a encarnação do que chamou de logos.

– Sim, eu lembro. Tales e Anaximandro falaram inúmeras vezes contra essa ideia.

– Assim como Anaxímenes. Essa era uma das razões de desejar conhecê-lo. Queria que ele me aceitasse como seu discípulo para aprender mais.

– Eu também. A questão é: será que ele nos aceitaria?

– Agora jamais saberemos.

O silêncio caiu sobre os dois enquanto distraidamente continuavam a beber o vinho. As ideias do filósofo – que detestava filósofos – chegaram até eles há pouco tempo, mas os havia conquistado quase de imediato. Tudo estar em contínuo movimento e a realidade ser o resultado de uma guerra entre os opostos eram conceitos tão fascinantes que eles não pensaram duas vezes em abandonar a sua cidade natal e seguir para Éfeso em busca de mais conhecimento. E agora, depois de todos os sacrifícios, viam-se diante desse cenário medonho: o grande filósofo morto e suas ideias correndo o risco de serem esquecidas por falta de quem continuasse o seu trabalho.

O rapaz mais moço de repente colocou-se de pé:

– Temos de fazer alguma coisa. Precisamos intervir.

– Como? – perguntou o outro calmamente. – Nós sequer o conhecíamos.

– Conhecemos suas ideias, isso deve significar alguma coisa.

– Para nós, com certeza, mas para essa plebe? – disse o mais velho – Acalme-se, tome o seu vinho e vamos pensar na melhor maneira de agir.

O jovem sentou-se de má vontade e se serviu de mais vinho. Quem sabe se ficasse bêbado pudesse esquecer o quadro de horror que acabara de testemunhar. Segurando a taça com força, olhou para o companheiro e perguntou:

– Será que os sacerdotes irão cumprir todos os rituais de sepultamento? – Interrompendo-se, voltou-se para o amigo. – Desculpe, não consigo parar de pensar nisso.

– Tranquilize-se e lembre que para ele, os deuses não tinham a menor importância. Deus podia ser a noite ou o dia, a guerra ou a paz, o inverno ou o verão, mas no final, era apenas fogo misturado a diferentes tipos de incensos. Tudo, para ele, era um grande e perene fluxo, uma tensão contínua dos opostos em luta. Portanto, o que os sacerdotes farão com o corpo não importa mais. Além disso, não podemos querer impor nossas ideias a essas pessoas. Ele não era bem quisto pela população e corremos o risco de sermos linchados se chegarmos com exigências.

Um barulho chamou a atenção dos dois. Uma comitiva de sacerdotes aproximava-se da praça. A multidão se afastou abrindo espaço. Pararam, no entanto, a uma distância considerável do corpo e designaram dois escravos para carregá-lo até uma carroça. O dono da taberna aproximou-se da porta para acompanhar o movimento.

– O que vão fazer? – perguntou o rapaz mais velho ao taberneiro.

– Parece que vão levá-lo ao templo de Ártemis, pois era lá que ele vivia nos últimos anos. Se não fosse pelo cheiro eu o deixaria apodrecer na praça. Velho idiota! – disse o homem, enquanto cuspia no chão.

Os dois jovens nada disseram. Em silêncio observaram a multidão se dispersar enquanto a carroça, puxada pelos escravos, era levada para longe da praça.

– O que faremos? – voltou a perguntar o mais jovem.

Margarete Hülsendeger
Margarete Hülsendeger é Física e Mestre em Educação em Ciências e Matemática/PUCRS. É mestranda em Teoria Literária na PUC-RS

– Vamos seguir o cortejo. Nada podemos fazer, só nos resta prestar a nossa última homenagem.

– “Em nós existe o que está vivo e o que está morto, o que está desperto e o que dorme.

Cada uma dessas coisas, ao mudar, transforma-se na outra, e esta se transforma na primeira” – recitou baixinho o estudante mais jovem.

Em seguida levantaram e seguiram a macabra procissão, com os olhos firmemente postos nas colunas de mármore do magnífico templo de Ártemis, última morada do filósofo morto.

Heráclito, apelidado de “O Obscuro”, nasceu em Éfeso, cidade da Jônia (atual Turquia), por volta de 480 a.C. Por seu desinteresse por qualquer forma de poder e pelo desprezo que dedicava aos bens materiais, não era simpático aos efésios. Misantropo, viveu na solidão do templo de Ártemis. Ao contrair hidropisia – doença caracterizada pelo acúmulo anormal de líquidos nos tecidos ou em determinadas cavidades do corpo – decidiu recorrer a um curandeiro que o aconselhou a mergulhar em estrume. A partir daí, surgiram duas versões para a sua morte. A primeira é que teria sido atacado por seus próprios cães que não o reconheceram. E a segunda que teria morrido por sufocamento, tendo sido impossível retirar seu corpo do esterco.

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Gilda E. Kluppel

Quantos são aqueles que buscam ansiosamente pelo aparecimento de um herói para libertá-los do mal. E como são admiradas as pessoas que se encaixam no perfil de salvador ou salvadora. Afinal, possuir as respostas prontas, na ponta da língua, para todas as perguntas, pode demonstrar força e uma convicção inabalável. Munidos de um receituário de “certezas”, o caminho está aberto. Contudo, a procura por um herói ou heroína, requer a adoção de apenas um lado da história, uma meia verdade. Esse é um viés muito aproveitado pela grande mídia.

A vida fluí facilmente com a aceitação das supostas verdades, logo encontra-se uma zona de conforto. O mundo apresenta-se como um eterno confronto entre o bem e o mal. Para tanto, basta acompanhar as narrativas simplistas, capazes do reconhecimento rápido da figura do herói. Diante da luta entre o bem e o mal, a sociedade resume-se à visão maniqueísta, na qual se indica prontamente o rumo “correto” para se orientar. Do outro lado, no polo oposto, a representação de um caminho para o abismo. Delineada como a opção de “bom senso” a ser seguida, dirime-se a dúvida e o método mais árduo para analisar um fato: o confronto de ideias.

A grande mídia sabe utilizar essa estratégia, construir lendas e forjar heróis, para conquistar audiência. Tal qual um folhetim novelesco, notícias divulgadas de modo sensacionalista, buscam atrair a atenção do público. Calcada na visão dualista, o público quer encontrar logo o culpado para, como numa inquisição, condená-lo a arder na fogueira. Diante disto, desumaniza-se o antagonista, a narrativa para a existência do herói, exige também a presença do lado oposto, a encarnação do mal. Trata-se daquele conhecido “bode expiatório”, o escolhido que, independente da culpa ou inocência, já está taxado como culpado.

Nas histórias em quadrinhos, em que pessoas com poderes extraordinários fazem a alegria da criançada e também de muitos adultos, destaca-se a importância do antagonismo. Pode existir o Batman sem o Charada? O Super-Homem sem o Lex Luthor? E sobretudo não existe herói sem admiradores. Todos com o lema do personagem He-Man: “eu tenho a força”. Devido à suposta força extra, exaltada pela grande mídia, pessoas comuns são alçadas ao triunfo, com trajetórias de vida idealizadas. Nas histórias em quadrinhos e igualmente as representadas pela mídia, o herói é aquele que pode resolver tudo sozinho. Somente o herói basta a si mesmo.

Diante da imagem, idealizada, todos têm interesse em saber detalhes sobre a sua vida particular. O que será que eles comem? Quantas horas dormem por dia? Onde passam as férias? Confidências são bem-vindas, qualquer detalhe sobre seus comportamentos satisfazem os anseios por informações dos simpatizantes. Em contrapartida, ao sentimento de admiração pelo herói surge, de modo irracional, a aversão e o ódio ao antagonista, logo existe uma torcida para um e o desejo do mal para o outro.

gildaekl
Gilda E. Kluppel é professora de Matemática do ensino médio em Curitiba/PR,

A figura do herói não perpetua por muito tempo, ninguém é infalível. Afinal, o herói é um personagem aprisionado pela visão do outro. Objeto de todas as atenções, qualquer deslize ou conduta, que não se adeque aos moldes estabelecidos pelos seus seguidores, são suficientes para o descarte desse personagem. Entretanto, para aqueles que precisam dessa figura para sobreviver, há necessidade da criação de outro herói de estimação, quando desiludidos pela verificação da falibilidade do seu ídolo. Muitas vezes, a própria mídia, criadora do herói, por não ser mais conveniente aos seus interesses, o transforma em vilão.

O curioso é ainda necessitarmos da figura do herói na sociedade contemporânea. Não sei se muitos heróis morreram de overdose, como cantava o Cazuza, porém, estamos envoltos numa realidade capaz de construir e desconstruir personalidades em períodos curtos de tempo. O retrato dessa realidade descrito por Bertolt Brecht: “Miserável país aquele que não tem heróis. Miserável país aquele que precisa de heróis”.

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