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ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 06 de setembro de 2012 20:16:14                                               

 
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Cultura
A visão saussuriana da linguagem    

Evanice Ramos Lima Barreto[*]

publicado em 07/10/2009

 

 

Resumo: Este artigo apresenta uma revisão teórica sobre o fenômeno linguístico conforme a perspectiva estrutural da linguagem. Embora o estruturalismo tenha diversas formas dentro da Linguística, como o funcionalismo e o distribucionalismo, esta discussão limitar-se-á ao estruturalismo de Ferdinand de Saussure, visto que este deu à língua um tratamento especial, projetando a Linguística no âmbito das ciências modernas. Dentro dessa perspectiva, serão abordadas as dicotomias: língua/fala; significante/significado, relações sintagmáticas/relações paradigmáticas, sincronia/diacronia.  

 

Palavras-chave: linguagem, estruturalismo, dicotomias saussurianas.

 

Abstract: This paper presents a theoretical review of the linguistic phenomenon as a structural perspective of language. Although structuralism has various forms in Linguistics, as functionalism and distributionalism, this discussion will be limited to the structuralism of Ferdinand de Saussure, as he gave special treatment to the language, designing Linguistics in the context of modern sciences. In this perspective, will addressed the dichotomies: language / speech, signifier / signified, relations syntagmatic / paradigmatic relations, synchrony / diachrony.

Keywords: language, structuralism, Saussurean dichotomies.

 

 

Introdução

 

O fenômeno linguístico sempre exerceu fascínio sobre os homens que, desde a Antiguidade já empreendiam sérias discussões a respeito da organização da linguagem, bem como de seus elementos constituintes. Ao longo do tempo, os homens tentaram explicar a realização do fenômeno linguístico, propondo diversas concepções sobre a língua.

 

Inicialmente os estudos da linguagem foram fortemente marcados pelo racionalismo: estudo da linguagem enquanto representação do pensamento e concepção de que a língua obedece a princípios racionais lógicos. Cria-se, assim, a gramática considerada modelo por muitos gramáticos do século XVII: Gramática de Port-Royal. Posteriormente, com os estudos históricos, busca-se mostrar que as línguas se transformam com o tempo e essa mudança não depende da vontade dos homens; segue a vontade da própria língua e tem uma regularidade. Em seguida, com os estruturalistas, que se ocupam, inicialmente, da segunda articulação da linguagem e, depois, dos signos e dos sistemas de signos, procura-se explorar as inter-relações através das quais o significado é produzido dentro de uma cultura.

 

As concepções estruturais da linguagem tiveram grande aceitabilidade na Europa. Foi a partir do estruturalismo que a Linguística ganhou seu objeto de estudo, a língua, concebida como um conjunto de signos bem organizados, formando um todo significativo, em que cada elemento só adquire valor a partir de sua relação com o todo do qual faz parte.  

 

 

Breve história do Estruturalismo

 

O estruturalismo surgiu na Europa, a partir das idéias revolucionárias sobre a linguagem, desenvolvidas pelo lingüista genebriano Ferdinand de Saussure. Desde jovem, ele se dedicou aos estudos linguísticos e considerava insuficientes os princípios e métodos característicos da Linguagem. Em 1906, tornou-se professor titular na Universidade de Genebra, em que teve a oportunidade de divulgar sua visão sobre a Linguística Geral, cujas anotações foram reunidas e publicadas por dois de seus discípulos, após a sua morte, resultando em um de seus mais importantes trabalhos: o Curso de Linguística Geral.

 

Outros estudos linguísticos também fizeram parte dos interesses do mestre, como o trabalho sobre as vogais do indo-europeu e a análise de anagramas, mas o que realmente o consagrou foram os novos conceitos referentes à língua, os quais deram à Linguística um caráter científico, até então negado a esta por falta de método e objeto de estudo próprios.

 

Convém ressaltar que a Lingüística já se constituía desde o século XVII, com as gramáticas gerais e depois, com as gramáticas comparadas, porém, só a partir do século XX, com Saussure, é que a Linguística se autonomiza como ciência, definindo seu objeto e métodos próprios.

 

Saussure considera a língua um sistema de signos, cuja significação depende das relações de valor entre eles, pois a língua se estrutura ordenadamente de maneira a formar um todo significativo, a partir de pares opostos. Ele institui, então a sua visão dicotômica da linguagem, distinguindo língua e fala, sincronia e diacronia, significado e significante, relações sintagmáticas e relações paradigmáticas. Dessa forma, propõe um novo método de análise dos fenômenos linguísticos, chamado estruturalismo, que Mattoso Câmara assim define:

 

(...) é uma nova forma de encarar os fenômenos linguísticos porque faz com que a significação dependa, completa e exclusivamente, das suas relações íntimas e liberta esta concepção de outros postulados, falsos ou unilaterais, que tinham sido explicitamente enunciados e através dos quais se devia deduzir a existência de relações vagas e indistintas. (CAMARA JR., 1979, p. 110)

 

Muitos discípulos de Saussure procuraram explicar e aclarar suas idéias sobre a língua, outros partiram de sua teoria para investigar as partes da linguística sobre os quais o mestre não havia se pronunciado. Meillet e Bally, por exemplo, dedicaram-se, respectivamente, aos estudos de gramática comparativa do indo-europeu e à estilística; Sechehaye e Gardiner discutiram a distinção entre discurso e língua; Vandryes propôs uma visão sociológica para a linguagem.

 

Outros linguistas também se influenciaram pelas idéias de Saussure e o estruturalismo perdurou até os anos 50, momento em que Noam Chomsky, lingüista americano, propôs uma teoria explicativa para a linguagem: o gerativismo.

 

 

As dicotomias saussurianas

 

Língua e fala

 

Apoiada na oposição social/individual, a distinção entre língua e fala constitui a base da teoria estrutural da linguagem. Segundo Saussure, a língua é um fato social, assim como a fala, um ato individual, contudo, uma não existe sem a outra.

 

A língua é um instrumento de dominação, que só existe na mente dos falantes. Ela não é utilizada em termos concretos, é uma abstração da realidade que só se concretiza através da fala. Por isso Saussure afirma que a língua é um sistema de signos, cuja essência é a união do sentido e da imagem acústica; “é um tesouro depositado pela prática da parole em todos os indivíduos pertencentes à mesma comunidade” (SAUSSURE, 1975, p. 23), portanto, ela se apresenta como acervo linguístico.

 

Considerando que a língua não é individual, que nenhum indivíduo é possuidor da língua e que ela só se completa a partir da coletividade, Saussure a considera uma instituição social. Ela se constitui a partir das convenções estabelecidas por uma sociedade, não podendo ser modificada por apenas um membro desta, e, por ser um sistema de signos, cuja função é exprimir idéias, ela é sistemática e funcional, de natureza homogênea. A fala, por outro lado, é considerada um instrumento de execução individual da linguagem, cuja função é exprimir o pensamento pessoal, e por isso é heterogênea e multifacetada, sendo peculiar a cada indivíduo que dispõe das combinações necessárias para a realização da língua. Ela é assistemática, permitindo uma variedade de combinações linguísticas.

 

Utilizando o termo forma no sentido de essência, Saussure estabelece que a língua é forma e não substância, pois ela é sistemática e tem estrutura. A forma é constituída pela teia de relações entre os elementos da língua, enquanto a substância é constituída pelos elementos dessa teia. Na língua, podem ser constituídas sentenças com alterações de substância, ou seja, falta de coesão que, no entanto, não implicam na forma, a qual é de fundamental importância para o funcionamento do sistema linguístico. Uma sentença como Nós conseguiu apresenta defeito de substância, entretanto, os elementos que a constituem (sujeito e predicado) estão perfeitamente relacionados, não apresentando defeito de forma, visto que possui gramaticalidade. Saussure, então, atribui à substância a função de fazer a ligação com a forma. Para ele, a língua está para a forma, assim como a fala está para a substância, sendo impossível conceber uma sem a outra.

 

Sem dúvida, a língua é sistemática, mas os seus elementos podem sofrer mudanças ao longo do tempo, porém essas mudanças não são percebidas pela coletividade. Assim, Saussure confere total prioridade ao estudo da língua, visto que, por ser ciência, a Linguística só poderia se ater ao estudo daquilo que é sistemático e constante: a langue. Seu estudo, conforme Saussure, deve partir das relações entre os elementos constituintes do sistema e suas funções, desconsiderando outras propriedades, tais como: modo de formação, estrutura acústica, variantes morfo-fonêmicas, etc.

 

Sincronia e diacronia

 

Outro par do qual Saussure faz distinção em seus estudos linguísticos é sincronia/diacronia. Para ele, os fatos linguísticos podem se relacionar simultaneamente em um determinado momento do sistema da língua, como também podem se relacionar com outros fenômenos antecedentes ou procedentes dentro do sistema da língua. Por isso, faz a distinção entre esses dois fatos, estabelecendo dois eixos: o da simultaneidade e os das sucessividades. No primeiro eixo, que ocorre horizontalmente, os fenômenos linguísticos coexistem de maneira atemporal; no segundo eixo, que ocorre verticalmente, os fenômenos ocupam uma determinada posição e devem ser considerados de per si, verificando as alterações sofridas pelos fenômenos do primeiro eixo, que aí se encontram.

 

Aos fenômenos que ocorrem no eixo das simultaneidades corresponde a sincronia, e aos que ocorrem no eixo das sucessividades corresponde a diacronia. Assim, em seu Curso de Linguística Geral, Saussure utilizou uma escala para ilustrar seu pensamento, em que A B = sincronia e C D = diacronia:

 

                                                          C

Caixa de texto: A

 

Caixa de texto: B

 

 

                                                           D

 

Sincronia e diacronia se apresentam bem diferentes; a primeira corresponde à gramática de uma língua: “À sincronia pertence tudo o que se chama “gramática geral”, pois é somente pelos estados de língua que se estabelecem as diferentes relações que incubem à gramática” (Saussure, 1975, p. 117); enquanto a segunda corresponde à fala:

 

(...) tudo quando seja diacrônico na língua, não o é senão pela fala. É na fala que se acha o germe de todas as modificações: cada uma delas é lançada, a princípio por um certo número de indivíduos, antes de entrar em uso. (Saussure, 1975, p. 115)

 

Analisando, por exemplo, o verbo pôr, pode-se afirmar que diacronicamente é um verbo da 2ª conjugação por causa de sua foram arcaica poer, que era seu infinitivo. Porém, sincronicamente ele pertence à 2ª conjugação porque as formas pudesse, puser, põe, etc. comprovam que sua vogal temática é –e-. Assim, Saussure diz que “É sincrônico tudo quanto se relacione com o aspecto estático da nossa ciência; diacrônico tudo que diz respeito às evoluções” (Saussure, 1975, p.96).

 

         Portanto, diacronia se refere às transformações, às mudanças ou alterações sofridas pelos elementos do sistema linguístico ao longo de seu uso na língua; enquanto sincronia se refere à situação, ao estado em que os elementos se encontram em um dado momento (passado ou presente), independente dos fatos que os antecederam ou procederam no tempo.

 

Em seus estudos linguísticos, Saussure priorizou a sincronia, pois acreditava que, sendo a língua um sistema de valores, seu estudo deveria partir da estrutura como se apresenta num estado momentâneo, a qual é a única perceptível pelos falantes, visto que os mesmos não percebem a sucessão de fatos linguísticos no tempo, que constituem a diacronia. Assim, torna-se impossível estudar, ao mesmo tempo, os fatos sincrônicos e diacrônicos, principalmente pela multiplicidade de signos na língua.

 

 

Significante e significado

 

Uma terceira dicotomia da visão estrutural da linguagem se refere aos elementos que compõem o signo linguístico: significante e significado. Como já foi visto, a língua é considerada um sistema de signos, cuja essência é a união entre sentido e imagem acústica. O signo linguístico, então, foi assim ilustrado no Curso:

 

                                     

 

 

A representação mental ou conceito a que se está convencionada a palavra denomina-se significado (parte abstrata da palavra). A imagem acústica, a impressão psíquica que se tem do som, quando se enuncia a palavra, denomina-se significante. Esses dois elementos são inseparáveis. Não é possível conceber, na língua, conceitos ou idéias sem uma denominação específica ou vice-versa. Com isso, tem-se que “os termos implicados no signo são ambos psíquicos e estão unidos, em nosso cérebro, por um vinculo de associação” (SAUSSURE, 1975, P. 80). 

 

Sendo a língua um sistema, cujos signos são estabelecidos por convenção social, o vínculo associativo que une as duas faces do signo não é motivado, ou seja, não há um critério para se associar um significado a um significante na língua, por isso, o signo linguístico é arbitrário. Nesse sentido, arbitrariedade não significa liberdade para que o falante possa alterar o signo, pois este é convencional. E, exatamente por ser imutável, o signo é arbitrário; ele só se estabelece na língua quando consagrado por uma comunidade linguística. Assim, o mestre genebriano afirma que “Justamente porque é arbitrário, não conhece outra lei senão a da tradição, e é por basear-se na tradição que pode ser arbitrário” (SAUSSURE, 1975, p.88).

 

A diferença que existe entre as línguas justifica essa característica do signo. Em cada língua há um significante diferente para representar um mesmo conceito comum a todas: cadeira, silla, chair, etc. O princípio da arbitrariedade parte da idéia de que não há uma razão natural para se unir determinado conceito a determinada seqüência fônica, por isso, qualquer seqüência fônica poderia se associar a qualquer conceito e vice-versa, desde que fosse consagrado pela comunidade linguística.

 

No que tange à questão das onomatopéias e interjeições, Saussure diz que, devido à sua forma fônica, sugerem apenas uma realidade, mas não são elementos constitutivos da língua e nem sempre mantêm uma relação evidente entre o significante e o significado. Além disso, eles variam de língua para língua, pois não são imitações fiéis e diretas de ruídos e sons naturais, visto que, quando introduzidas na língua, sofrem evolução fônica, convencionando-se também como os demais signos e perdendo seu caráter natural.

 

Outra característica do signo é a linearidade. Cada elemento da língua se difere do outro, estabelecendo uma relação contrastiva, não havendo possibilidade de emitir dois fonemas simultaneamente. Mesmo quando não se compreende na totalidade os fonemas que compõem um sintagma, há de se fazer uma escolha, pois não há um elemento intermediário, portanto, ou se pronuncia dente ou pente, visto que os elementos que compõem a língua são discretos e se agrupam linearmente, numa seqüência. Como o significado não é uma sucessão e não possui partes, a linearidade reside apenas no significante.

 

 

Relações sintagmáticas e relações paradigmáticas

 

A língua é uma estrutura em que cada elemento tem uma função. Para Saussure, a língua é composta sempre de pares opostos que formam uma estrutura, e é exatamente esse fator que torna possível a existência de uma língua. Os elementos da língua mantêm entre si relações lineares e de contraste, das quais dependem sua significação e seu valor. Essas relações ocorrem horizontalmente em nível mórfico, fônico e sintático entre dois ou mais elementos, formando sintagma. Na palavra casinha, por exemplo, temos uma oposição entre o radical cas- e o sufixo característico do diminutivo –inha, formando um sintagma. Para Saussure, sintagma se constitui de dois ou mais elementos consecutivos, não devendo, pois, confundir-se com sintaxe, visto que o estudo do sintagma se propõe à análise dos elementos mínimos significativos da língua, enquanto a sintaxe deve apenas ser parte desse estudo.

 

Como foi exposto anteriormente, a língua se constitui acervo linguístico. Cada indivíduo tem armazenado em sua mente uma série de palavras que, no momento da concretização da língua, são selecionadas pelo falante para compor o enunciado. As palavras que pertencem à mesma família se associam na memória formando grupos e mantendo várias relações entre si. Essas relações ocorrem verticalmente em nível mórfico, fônico e semântico, formando um paradigma.

 

         Dessa forma, Saussure distingue dois tipos de relações entre os termos da língua, que “se desenvolvem em duas esferas distintas...” e “correspondem em duas formas de nossa atividade mental, ambas indispensáveis para a vida da língua” (SAUSSURE, 1973, p. 142). Na primeira, estão as relações sintagmáticas; na segunda, estão as relações paradigmáticas.

 

         As relações sintagmáticas se referem às relações que unem as partes de um sintagma, bem como as que unem um sintagma a outro, portanto, podem ocorrer entre fonemas, entre determinante e nome, entre sujeito e predicado, etc. elas estão ordenadas na língua, numa sucessão de elementos e número determinado; pertencem aos grupos de palavras e ocorrem in presentia, numa série efetiva de dois ou mais elementos que compõem o sintagma; podem referir-se à corrente temporal da produção sonora ou aos segmentos lineares da escrita e, devido a esta última possibilidade, são consideradas a primeira dimensão.

 

            As relações paradigmáticas correspondem às relações de associação dos elementos que possuem algo em comum, sendo comparáveis em qual unidade de sua estrutura. Segundo Robins (1977), a estrutura da língua está para sintagma, assim como sistema está para paradigma, pois, ao contrário do sintagma, caracterizado pela ordenação e definição dos elementos, respeitando tempo e espaço, no paradigma, os termos podem ser agrupados desordenadamente, em números indefinidos. De acordo com ele, “Um termo dado é como o centro de uma constelação, o ponto para onde convergem outros termos coordenados cuja soma é indefinida” (SAUSSURE, 1975, p.146).

 

         Dessa forma, essas associações podem se fundar em relações entre radicais, sufixos, significados, consoantes, verbos, fonemas, partes do discurso, etc.

 

 

Considerações finais

 

         Através desse trabalho, procurou-se mostrar as bases da Linguística Estrutural, instituídas por Saussure, a partir de suas dicotomias. Para tanto, recorreu-se aos percursos teóricos empreendidos pelo mestre genebriano em seu Curso de Linguística Geral. A teoria estrutural distingue, então, língua e fala, sincronia e diacronia, significado e significante, relações sintagmáticas e relações paradigmáticas. Da dicotomia língua/fala, priorizou-se o estudo da língua em detrimento do estudo da fala, visto que esta é assistemática e multifacetada, enquanto aquela é sistemática e tem estrutura. Entre sincronia e diacronia, deu-se preferência à sincronia, pois os estudos diacrônicos já faziam parte da tradição linguística, enquanto na sincronia, muito ainda havia a explorar. No Curso, Saussure deixou claramente expresso que há uma linguística sincrônica e uma diacrônica, porém as explicações desta não têm relações com aquela.

 

         Muitas das idéias de Saussure foram, depois, de batidas e ampliadas, pois ele não abordou, no Curso de Linguística Geral, todas as partes da Linguística, por isso, muitos de seus discípulos deram continuidade aos estudos linguísticos, sob o enfoque estrutural.

 

         Sem dúvida, a visão saussuriana da linguagem contribuiu para esclarecer o fenômeno linguístico e deu à Linguística uma posição de ciência-piloto das ciências humanas. Tal é a sua importância que hoje se tornou conteúdo obrigatório em qualquer curso universitário na área linguística, porém convém ressaltar que as concepções sobre a linguagem não se esgotam na teoria estrutural, sendo esta, ainda, geradora de muitas críticas e reflexões.

 

 

Referências

 

CÂMARA, JR. Joaquim Mattoso. História da Linguística. Trad. Mª do Amparo B. de Azevedo. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 1986.

 

CARVALHO, Castelar de. Para compreender Saussure. 12. ed. Petrópolis: Vozes, 2003.

 

ORLANDI, Eni Pulcinelli. O que é Linguística? Coleção Primeiros Passo. Brasiliense: São Paulo, 1995.

 

ROBINS, Robert Henry. Linguística Geral. Trad. Elizabete Corbetta A. da Cunha et al. 2. ed. Porto Alegre: Globo, 1981.

 

SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de Linguística Geral. 29. ed. Cultrix: São Paulo, 2008. 

 


 

[*] Mestre em Letra e Linguística pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Professora de Linguística da Faculdade de Ciências Educacionais.

 

 

Como citar esse artigo 

LIMA BARRETO, Evanice Ramos. A visão saussuriana da linguagem. P@rtes. (São Paulo). Outubro de 2009. ISSN 1678-8419. Disponível em <www.partes.com.br/educação/visaosaussuriana.asp>. Acesso em _/_/_. 

 

 
  

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::sobre o autor::

Evanice Ramos Lima Barreto é mestre em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), especialista em Linguística Aplicada à Língua Portuguesa pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Professora de Linguística da Faculdade de Ciências Educacionais. Sócia do Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Lingüísticos (CiFEFiL).

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