Assédio Moral: entre sonhos e pesadelos

livro-entre-sonhos-e-pesadelos-ednete-francaPor Gilberto da Silva

“Que trágica ironia! As pessoas da minha instituição que, na pior das hipóteses, deveriam me proteger foram elas as responsáveis com ou sem intenção da minha dor” Página 201.

Quando recebi o primeiro e-mail da Ednete Franca logo identifiquei uma pessoa angustiada. Mais uma entre centenas de cartas de pessoas desesperadas pela opressão no trabalho. Mas a funcionária pública federal foi muito adiante na sua luta. Como sempre nestes casos não fugi a atendê-la e inclusive transmiti seus questionamentos para a nossa colaboradora doutora Carolina de Aguiar Teixeira Mendes, jovem e brilhante advogada, sempre prestes a nos auxiliar.

Ednete Franca transformou suas angústias e seu histórico de perseguições e humilhações em um relato simples, didático que nos ajuda a compreender ainda mais este fenômeno do mundo do trabalho. Aos nos relatar os meandros de uma instituição federal e suas intrigas de poder, qualquer servidor público de qualquer esfera sentirá em casa. Foi o que senti, como servidor público municipal.

A ironia da história é que a lei do assédio moral pela primeira vez no Brasil foi implantada em gestões petistas  e Entre sonhos e pesadelos: uma história real denuncia justamente uma administração petista, apesar da autora não citar o nome da instituição, nem partido, nem citar nomes de pessoas. E nem precisava…

Fiquei por horas admirando a capa do livro, tentando decifrar a dor e angústia de servidores que em qualquer nível ou governo passa de eleição em eleição. O assédio moral pode acontecer com qualquer um e “as pessoas reagem de formas diferentes, de acordo com seu estado de espírito” p.102.

Ednete foi honesta com ela – ao perseguir firme em sua luta – com sua carreira, com seus amigos e conosco também: mesmo não precisando remeteu e-mail de agradecimento, assim como um exemplar do seu livro.

Obra: Entre sonhos e pesadelos: uma história real de assédio moral

Autora: Ednete Franca Passos Oliveira

Editora: Gráfica Editora J. Andrade

Local: Aracaju, 2005

Preço:s/i

 

Contatos com a autora:
ednetefrancaf@bol.com.br

Publicado originalmente em  12/09/2007 link: http://www.partes.com.br/cultura/livros/entresonhos.asp

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Discriminação, preconceito e assédio moral, defendam-se

Johnny Notariano

Johnny Notariano é especialista em Orçamento Público na Universidade de São Paulo.

Diferenças existem em todas as esferas administrativas nas relações de trabalho e é justamente essa diferença que causa os mais atormentados conflitos interpessoais dentro de uma instituição privada ou pública. Conviver com as diferenças tem sido o maior de todos os desafios administrativos e trabalhistas devido aos afluentes que emergem dessa relação ao envolver toda a cultura de gestão da instituição.

A Constituição Federal de 1988 assegura o direito de igualdade para todos ao mesmo tempo em que torna legal algumas diferenças. Como exemplo o menor que só pode trabalhar como aprendiz, assistido e com restrições e aí se torna lícita essa diferença o que dificulta o trabalho de advogados ao se conciliar a igualdade e as diferenças. Segue também as dificuldades com relação ao trabalho da \mulher\ somadas a algumas restrições consideradas legais, ao mesmo tempo, em que todos somos iguais perante a lei e em dignidade. Concluem-se então as dificuldades para se lidar com as diferenças e o melhor é aprender a se conviver com elas, evitam-se assim os constrangimentos dos processos trabalhistas fundamentados na discriminação e preconceito.

O Preconceito geralmente antecede a discriminação, o funcionário na empresa é julgado pelas suas limitações e não pelas suas habilidades. Inúmeros casos desse tipo já foram alvo de discussões e muitos outros casos semelhantes passam sem ser percebidos. O notável no comportamento preconceituoso é a ignorância no momento de não respeitar a diferença do outro. Coloca-se um rótulo no diferenciado e dificilmente essa marca se solta, é a idéia pré-concebida do outro com relação a diferença. Portanto as diferenças devem ser superadas do contrário geram polêmicas que criam desigualdades passíveis de uma discussão processual. O que é lamentável, a nossa cultura administrativa separa as diferenças quando deveria ser exemplo a nos enriquecer ao invés de abismar o diferente em exclusão.

A discriminação vem logo em seguida, também acompanhada de ignorância ao ofender o princípio de igualdade, respeito à diferença do outro no momento de violar os critérios fundamentados no erro, julga-se o funcionário diferenciado equivocadamente. O que mais se nota e se acentua na discriminação é a maneira pejorativa e disfarçada de ver o diferenciado, coloca-o em posição humilhante, desarma-o de todos os modos, marginaliza sua condição humana e afeta sem piedade a sua capacidade de trabalho.

Contudo deve-se ficar atento para os desgastes de relacionamento involuntários provocados pelos bajuladores ou \puxa-sacos\; administradores e chefes mal intencionados.

Ainda na seqüência do Preconceito e Discriminação temos a pior de todas as condições enfrentadas pelas vítimas, o conhecido \ASSÉDIO MORAL\. Última \tacada\ daqueles covardes que promovem sem que o funcionário perceba uma verdadeira guerra emocional dentro da instituição, o terror psicológico.

Quando a política da instituição favorece o terror psicológico, todos os funcionários são afetados e à luz da verdade, correm o risco de sofrer esses ataques e com certeza sempre terá um dia seguinte e a surpresa revelará a próxima vítima.

Se há culpa fundada na vítima, é fácil para colegas e liderança, condená-la e descartá-la sem problemas com a Lei, mas quando não há culpa, aí começa o processo maligno do Assédio Moral. Os malditos algozes não têm piedade, atacam até o fim. Por todos os lugares que pisam colocam minas poderosas e o funcionário tem que tomar todas as precauções, sob pena de sucumbir à pressão.

Os pontos fracos são os alvos. As diferenças já citadas revelam sempre as causas do assédio promovido pelos canalhas.

Interessante, quando se fala em diferença no assédio moral, pensamos logo em deficiências físicas ou emocionais, mas tem uma conhecida e não lembrada: – \A HABILIDADE DO TRABALHADOR NO DESEMPENHO DA FUNÇÃO COM RELAÇÃO AOS DEMAIS COLEGAS, E, A SUPERAÇÃO DOS CONHECIMENTOS SOBRE AS LIDERANÇAS\. Essa diferença é aquela atacada covardemente em silêncio pela casta inferior da instituição travestida de líderes, pois já ficou provado, ninguém é assediado por capacidade a menos, com toda a certeza, por capacidade a mais.

Dizem os mais experientes em direito que no Brasil é difícil a vítima sair vencedora em uma ação trabalhista de Assédio Moral. Eu não concordo. Cito aqui um exemplo real.

Caso Real: Um funcionário de uma instituição sofreu por parte de um diretor de Recursos Humanos todo tipo de humilhação perto de suas funcionárias, uma das quais era advogada e ele também advogado. Ofendeu a moral do funcionário aos gritos que se ouvia por toda a extensão da instituição e o eco dessa imoralidade chegou até o sindicato de classe no mesmo instante. Esse momento de terror durou muito tempo. As funcionárias, \testemunhas\ e a vítima não sabiam como e nem porque esse diretor adotou aquela postura, pois a vítima permaneceu o tempo todo calada e as funcionárias apavoradas pediam com gestos para que a vítima não revidasse deixando claro que se tratava de uma provocação \armadilha\. A cena foi tão desgastante e de uma \baixaria\ tão grande que em poucas horas a revolta atingiu quase que a maioria dos funcionários da instituição. Agora o mais importante, do lado de fora da sala onde se deu toda aquela confusão, um funcionário categorizado acompanhado de uma docente, por obra do acaso, estavam esperando a vítima para um encontro informal. Surpresos, assistiram de camarote tudo aquilo acontecer e acreditaram se tratar de brincadeira de \mau gosto\.

Analisem, não considerando as funcionárias, são duas testemunhas importantes que assistiram a tudo. Diante desse quadro, ainda acreditam que há a necessidade de lei específica para se responsabilizar a instituição por permitir essa conduta desclassificada do DRH? Acreditam na necessidade de lei específica para se punir o diretor de Recursos Humanos?

Esse fato gerou uma das maiores polêmicas na instituição e agravou toda uma seqüência de Assédio Moral com efeitos devastadores e reflexos em toda a família do funcionário. A vítima sofreu tudo aquilo já conhecido como sintomas e causas do assédio moral.

É uma história real que poderei escrever em outro texto se houver interesse, diga-se de passagem, motivou-me a escrever um livro sobre Assédio Moral que está em fase final de anotações ainda, mas não consigo terminá-lo porque a cada dia surgem mais registros para completar as anotações. Talvez eu apresente em outros textos a seqüência maldita desse acontecimento com todas as agravantes.

Os problemas causados pelo assédio moral são tantos que aqueles que estão nessa condição, devem prestar atenção: Auto-estima abalada; isolamento pelos colegas; problemas de saúde variados; relacionamento familiar comprometido; finanças alteradas; esgotamento e final das forças com tendências a abandonar-se pelo convencimento da própria inutilidade, DEFENDAM-SE.

De imediato, quando alguém no seu trabalho começar a lhe recusar a palavra, com certeza, a seqüência será aquela citada e se um desses sintomas aparecer, procure urgentemente dois médicos, um dos quais, psiquiatra; depois um advogado e de porte dos respectivos laudos faço-o levar a um promotor de justiça, acione a Justiça do Trabalho e presenteie esses \picaretas\ com uma maravilhosa ação trabalhista de Assédio e Danos Morais.

Johnny Notariano

notarian@usp.br





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Assédio Moral contra Mulher nas Relações de Trabalho: uma reflexão sobre suas consequências econômicas e psicológicas

Alexandre Rui Neto
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Resumo:

As pessoas quando submetidas a intensas relações e convívio cotidiano, tal como se vê no ambiente de trabalho, e, por conseguinte nas relações de trabalho, ficam sujeitas a exposição constante de sua imagem e de seus pensamentos, por sua vez, este ambiente pode se tornar um lugar de hostilidade e de confrontamento, devido aos choques de personalidade, das brincadeiras mal intencionadas, do desejo por determinado cargo e função, entre outros fatores, que assim fazem deste espaço um local propício ao desenvolvimento das práticas de assédio moral. Não obstante, nota-se que este ambiente se faz mais perverso e discriminatório para as mulheres, que encontram diferentes situações de constrangimento, bem como os reflexos da desigualdade de gênero, os preconceitos pelas características físicas e biológicas, e até pela importância desempenhada frente à sociedade, como agente atuante na família e no trabalho.

Diante disso, este estudo possui como objetivo compreender a incidência do assédio moral nas mulheres, em específico nas relações de trabalho, explorando as consequências que esta prática é capaz de proporcionar, tanto psicologicamente a assediada, quanto economicamente à organização, por fim destaca-se a necessidade do combate ao fenômeno e sugere-se algumas medidas preventivas para evitar tais consequências.

Para tanto, usou-se da pesquisa bibliográfica exploratória, em que as informações relevantes serviram de base para construção de um raciocínio acerca da pesquisa delimitada, e os resultados de conceituação, fundamentação e contextualização do objeto em estudo, assim como as discussões sobre os efeitos decorrentes das práticas de assédio moral e ações sugeridas para o combate e minimização destas ocorrências , encontram-se especificadas no escopo deste trabalho, e fazem deste, um meio para descrever e demonstrar a situação feminina frente à desigualdade de gênero existente, agravada ainda, pelas práticas de assédio moral.

Palavras-Chave: Assédio Moral; Mulher; Trabalho; Desigualdade de Gênero.
1 Introdução

O ambiente de trabalho como um local de grande relacionamento e
convivência cotidiana entre as mais diversas formas e classes de pessoas,
tornou-se ao longo do tempo o espaço ideal para o desencadeamento do assédio
moral.
Desta forma, em meio à abrangência e constância a que o assunto vem
sendo debatido e discutido no cenário atual, se faz interessante a observância
da situação da mulher nesse contexto, pois como a inserção feminina no
mercado de trabalho é fenômeno recente, as barreiras encontradas pelas
mulheres passam pelas mais diferentes situações, são maiores e mais dinâmicas
quando em comparação a vivência dos homens.
Diante disso, analisar o enfrentamento da mulher frente a sua situação no
mercado de trabalho, associada ao seu posicionamento quanto a desempenho de
funções na sociedade, e ainda em consonância a histórica desigualdade de
gênero, isso nos induz a ver que a mulher é alvo constante de assédio moral nas
relações de trabalho.
Pois bem, a prática do assédio moral deixa efeitos psicológicos a quem é
assediado, o que reflete consequências econômicas nas organizações, portanto,
acaba por gerar danos e desgastes tanto por parte do trabalhador afetado quanto
pela empresa envolvida.
Logo, se vê que o fenômeno do assédio moral no âmbito do ambiente
laboral causa tamanho impacto negativo, desde os efeitos psicológicos à saúde
até o aspecto econômico provocado, assim se deve partir ao combate constante
desta prática, por sua vez, isto deve começar a ser feito dentro do próprio local ao qual se origina, para tanto a criação de medidas preventivas no ambiente de
trabalho é o primeiro passo em direção a formulação de novas concepções
acerca do comportamento humano perante as práticas de assédio moral.
2 Objetivos
O escopo deste artigo é, por um lado, compreender a incidência do
assédio moral nas mulheres, especificamente, nas relações de trabalho, devido
às várias causas que a cercam, e entre elas a desigualdade de gênero.
De outra parte, explorar as consequências que esta prática é capaz de
proporcionar, tanto psicologicamente à assediada, quanto economicamente �
organização.
Por último, buscar uma solução para o problema em questão, visando o
combate ao fenômeno do assédio moral no ambiente de trabalho, partindo da
sugestão de medidas preventivas a serem aplicadas nos locais de trabalho, e em
consonância, destacando a importância da construção da igualdade de gênero.
3 Metodologia
O método utilizado corresponde ao da pesquisa bibliográfica
exploratória.
Onde fez-se primeiramente um levantamento bibliográfico, reunindo
portanto materiais, como artigos, dissertações, periódicos, entre outros, com a
finalidade de usá-los como fonte de informações.
Num segundo momento, com o tema e o problema a solucionar já pré-definido, tomou-se contato com a documentação obtida, de modo a organizá-la
e selecioná-la como adequada de acordo com o objeto de estudo em questão, a
partir de uma leitura informativa científica, que possui o objetivo de constatar
as informações, relacionar estas informações com o problema em foco, e por
fim analisar o grau de veracidade contido nestes documentos.
Para tanto, esta técnica é feita através de etapas que se complementam, e
assim, são feitas nesta ordem, leituras de: reconhecimento, exploração, seleção, reflexão, e finalmente uma leitura interpretativa de acordo com o interesse ao
estudo delimitado.
Assim, seguindo este método, construiu-se um raciocínio acerca do tema
proposto em que os resultados e discussões encontram-se a seguir.
4 Resultados da Pesquisa
Os resultados da pesquisa compreendem os dados levantados, a
organização dos conceitos e fundamentos, e a contextualização do estudo,
necessários à compreensão e delimitação do objeto de pesquisa. Com isso,
optou-se por sistematizar os conceitos na ordem que se passa a apresentar.
4.1 Assédio Moral nas Relações de Trabalho
O conceito de assédio moral nas relações de trabalho pode encontrar
diferentes significados, dependendo do enfoque a ser observado, seja ele o
conceito médico, psicológico ou jurídico.
Confirma-se esta existência de diferenciação de conceitos nas palavras
de Martha Halfeld Furtado de Mendonça Schmidt, onde ela ressalta que:
“existem várias definições que variam segundo o enfoque desejado
(médico, psicológico ou jurídico). Juridicamente, pode ser
considerado como um abuso emocional no local de trabalho, de forma
maliciosa, não- sexual e não-racial, com o fim de afastar o
empregado das relações profissionais, através de boatos,
intimidações, humilhações, descrédito e isolamento”.
As preocupações com o assédio moral no Brasil se voltam praticamente
às análises no âmbito do ambiente de trabalho, dado que este espaço é provido
das mais diferenciadas formas de relação e interação entre diversas pessoas,
devido à convivência cotidiana que é fato constante e leva por vezes ao
propiciamento desta prática. Para tanto, o conceito mais utilizado de assédio moral, acerca da  presente discussão, é o da médica, mestre e doutora em Psicologia Social,
Maria Margarida Barreto, ela define que:

“assédio moral é a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações
humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de
trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comum em relações hierárquicas
autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações
desumanas e aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais
subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a
organização, forçando-o a desistir do emprego.”

Segundo esta definição o constante relacionamento e interação entre as
pessoas, de diferentes cargos ou mesmo em iguais funcionalidades no ambiente
laboral, exibem-nas a situações vexatórias, que por sua vez, acarretam em
danos psicológicos ao assediado, desestabilizando-o diante do próprio emprego.
A questão em foco é o abuso do poder, que levam as pessoas, detentoras
da autoridade, a buscarem impor suas próprias vontades e desejos sobre as
demais, desta forma as relações hierárquicas compõe a base da constituição das
práticas de assédio moral no trabalho
Por outro lado, contudo ainda no mesmo enfoque para conceituação de
assédio moral nas relações trabalhistas, a vitimóloga Marie-France Hirigoyen
define-o da seguinte maneira:

O assédio moral no trabalho é definido como qualquer conduta
abusiva (gesto, palavra, comportamento, atitude…) que atente, por
sua repetição ou sistematização, contra a dignidade ou integridade
psíquica ou física de uma pessoa, ameaçando seu emprego ou
degradando o clima de trabalho.

Observa-se, portanto, perante esta conceituação que a caracterização do
assédio moral no trabalho não se faz a partir de atos isolados, e sim de sua
constante repetição, intencionalidade, direcionamento de assédios,
temporalidade ocorrente, o que leva impreterivelmente a degradação do
ambiente de trabalho, observação comum a maioria dos autores que descrevem
sobre o tema. Portanto, o assédio moral é o mesmo que uma violência moral, uma
violência silenciosa que de forma gradual causa danos de inúmeras ordens,
chega a alterar os valores humanos pessoais, até alteração de identidade, e
então interfere negativamente na saúde, no bem-estar geral e qualidade de vida
das pessoas.
4.2 Situação da Mulher no Mercado de Trabalho
Embora se comente sobre a crescente evolução da situação da mulher no
mercado de trabalho, tal como o espaço que as mesmas vêm adquirindo ao
longo dos anos, sem dúvidas não há de se opor quanto a essa melhoria, que
realmente ocorreu, porém é necessário ressaltar que esta inserção feminina no
ambiente de trabalho, não se deu de forma justa e igualitária.
E então, devido ao histórico tradicional da diferenciação de funções, em
que o homem deveria se ocupar com as atividades laborais, enquanto que as
mulheres ficariam encarregadas das funções domésticas, foi de fato uma
barreira a ser quebrada, um valor ideológico que as mulheres tiveram de
enfrentar para buscar seu espaço na atual conjuntura econômica e social, e,
portanto os efeitos dessa implicação ainda respaldam num contexto
contemporâneo, proporcionando assim as mulheres diferentes condições de
trabalho em comparação a realidade vivenciada pelos homens.
Esta implicação é característica que advém da ainda existência da
desigualdade de gênero, que também é fenômeno propício e de alguma forma
acaba pro recair em práticas de assédio moral contra as mulheres.
Pois bem, utilizando-se desta discussão para entender que embora as
mulheres venham ganhando novos espaços ao longo dos anos, a situação
feminina ainda não é uma das melhores, ou seja, ainda não se dá de forma
igualitária, vê-se que este problema recai, portanto, da desigualdade de gênero,
tratada a seguir.

4.3 Desigualdade de Gênero no Trabalho
Falar em desigualdade de gênero com enfoque nas questões de trabalho
significa entender as relações de poder existentes entre homens e mulheres.
Como já firmado anteriormente, a ascensão feminina não se deu de forma
homogênea ao longo do tempo, portanto, mesmo com o crescente espaço
ocupado pelas mulheres no mercado de trabalho, os melhores empregos, os
salários mais elevados, e os grandes cargos políticos, entre outros, ainda então
em significante concentração dos homens.
É lamentável descrever que estas características remetem ainda de uma
antiga ideologia discriminatória, em que os traços de desigualdade têm sua
explicação na tradicional separação de papéis entre homens e mulheres.
A preferência de certas empresas pela contratação de homens, ao invés
de mulheres, possui como explicação básica o conceito de produtividade e
custos sobre encargos sociais. A menor produtividade das mulheres em relação
aos homens, em certos cargos, justifica-se pelos menores níveis de educação e
treinamento ainda existentes, uma menor forca física, maiores índices de
rotatividade de emprego, e maior propensão ao absenteísmo.
Diante disso, quanto aos custos que perpassam por sobre os encargos
sociais para com as mulheres, são destacados a gravidez e a proteção a
maternidade, pois é evidente que o afastamento da mulher empregada por
motivos de parto, geraria custos à empresa, que se o mesmo fosse um homem,
estas circunstâncias não ocorreriam.
O absenteísmo também é questão que impacta diretamente nos custos de
produção, e como mais propicio às mulheres, devido ao desempenho de papéis
familiares, contribui negativamente para a contratação das mesmas.
Sobre a maior rotatividade de emprego das mulheres, esta se dá em
função do casamento ou gravidez que por vezes fazem-nas abandonarem os
empregos, e desta forma, acabam gerando efeitos ao normal funcionamento da
empresa, bem como a geração de custos com rescisões contratuais e outros. Assim, embora acredita-se na eliminação desta concepção, as mulheres
constantemente se deparam com situações de discriminação provindos desta
vaga noção de sobreposição dos gêneros, é então também, um fato destacável
para o desencadeamento de assédio moral vivenciado pelas mulheres.
4.4 Causalidade e Caracterização do Assédio Moral contra Mulher nas
Relações Trabalhistas
Como já contextualizado sobre a situação feminina e sua inserção no
mercado de trabalho, e por conseguinte nas relações de trabalho, se vê portanto
que o ambiente de labor é um dos locais mais perversos para as mulheres, onde
diariamente se deparam com situações caracterizadoras de assédio moral.
A existência ideológica da desigualdade de gênero é fato que também
acaba por contribuir para o desencadeamento de situações que submetem as
mulheres a fenômenos discriminatórios, onde são inferiorizadas devido esta
concepção histórica, e então é um dos motivos que promovem as mulheres a
serem assediadas constantemente, pelo grau de sobreposição de gêneros, de
certa forma, ainda existente.
Com a reestruturação produtiva, a formulação de uma nova ótica do
mercado de trabalho com a afetiva implementação feminina nas atividades
laborais, são diversos os aspectos que colocam as mulheres como alvos certos
do assédio moral.
O constrangimento das mulheres no enfoque das relações trabalhistas se
dá antes mesmo da concreta contratação para o trabalho, ou seja, na própria
entrevista de emprego as mulheres já se deparam com casos de humilhação e
inferiorizarão, pois são observadas segundo padrões físicos, e até mesmo de
renda, desta forma são analisadas segundo critérios de beleza, vestimenta,
altura, peso, estado civil, número de filhos entre outros fatores que
discriminam e excluem as mulheres que não se enquadram nos parâmetros
desejáveis.
Marie-France Hirigoyen aponta que no ambiente de trabalho as principais
vítimas de assédio moral são exatamente as mulheres, e então ela destaca a
clara diferença entre os assediados em relação ao gênero, onde demonstra que70% dos assediados são mulheres enquanto que apenas 30% são homens. E
ainda segundo Hirigoyen, o caso da mulher em meio a um grupo de homens, é a
situação mais propícia ao assédio moral, e também coloca o perfil das mulheres
casadas, grávidas, ou que possuam filhos como as que mais sofrem com a
pratica deste fenômeno.
As próprias características físicas e biológicas das mulheres as remetem
a situações que caracterizam o assédio moral, pois o fato de poderem
engravidar e ter filhos leva por vezes, as empresas a imporem as mulheres
empregadas a não engravidarem, deixando-as assim com receios e medo pela
garantia do emprego.
Esta duplicidade de funções exercida pela mulher, como agente social
que desempenha papéis familiares onde é colocada como mãe, doméstica, chefe
de família, e ainda como trabalhadora, ajudando e complementando a renda
familiar, ou seja, esta tremenda perfeccionalidade, capacidade e importância
que as mulheres detêm na sociedade de forma geral, podem ser aspectos
também que estruturam a prática do assédio moral dos homens em direção as
mulheres, haja vista que o mesmo pode ser ocasionado em função da inveja, ou
desejo de possuir algo como tal.
Ainda dentro do próprio ambiente de trabalho, existem situações em que
as mulheres podem ser vítimas do assédio sexual por homens que dentro do
espaço organizacional possuam maior poder, cargo e domínio por sobre os
demais, e desta forma com propostas de melhores empregos ou maior
remuneração salarial incitam as mulheres a submeterem seus desejos, diante
desse fato quando se recusam a vontade alheia ficam inseguras, são perseguidas
e excluídas, e então de certa forma são abaladas psicologicamente frente a essa
situação, o que portanto determina a caracterização do assédio moral em
decorrência de um assédio sexual
Portanto, nota-se que as mulheres são vítimas constantes das práticas de
assédio moral no tocante as relações de trabalho, e desta maneira com a
identificação de alguns fatores que determinam a casualidade e caracterização
desta prática contra as mesmas, observa-se que em comparação a realidade
masculina, as mulheres sofrem com as mais diversas situações no ambiente de trabalho, recaindo assim, em partes, a um problema de desigualdade de gênero,
é evidente que não se determina somente neste enfoque, porém vemos que a
diferenciação entre homens e mulheres é fenômeno que contribui para o
propiciamento do assédio moral.
5 Discussão
Do percurso da pesquisa, em que se obtiveram os conceitos e
fundamentações necessárias, e por conseguinte a devida contextualização para
delimitação e compreensão do objeto em estudo, cujo foco buscou balizar por
alguns preceitos e reflexões sobre o assédio moral contra as mulheres no
ambiente de trabalho, vez que tal premissa atinge os debates por sobre a
desigualdade de gênero, passa agora a promover uma discussão acerca dos
efeitos advindos da prática do assédio moral, bem como uma reflexão crítica no
encaminhamento dos assuntos e temas pesquisados, e por fim faz-se uma
sugestão visando a minimização e não disseminação destes problemas.
5.1 Aspectos Psicológicos ocasionados ao assediado
Faz-se interessante, desde já, ressaltar que o grau dos efeitos
psicológicos ocasionados ao assediado vai depender principalmente da
subjetividade de cada indivíduo, da maneira pessoal a que cada um responde e
interpreta determinadas situações propensas à caracterização do assédio moral.
Outro fato que merece relevância, diz respeito à maneira diferente aos
quais homens e mulheres reagem ao assédio moral. De acordo com Maria
Margarida Barreto, os homens possuem dificuldades para exporem a violência
sofrida, e então se predomina o sentimento de fracasso, de inutilidade. Por não
conseguirem assimilarem tais problemas, se isolam, buscam a solidão,
encontram nas drogas e no álcool o refúgio necessário. Desta forma o caso
masculino é devastador, não choram em público e guardam para si seus receios,
portanto são grandes os distúrbios ocasionados, sofrem desde depressões até
sérios problemas de hipertensão arterial. Já nas mulheres predominam o sentimento de tristeza, ansiedade, sentem  vontade de chorar, sofrem alterações no sono, tem tremores e medo ao avistar o  agressor, e buscam nas bebidas a forma de esquecerem os ocorridos.
De modo geral, o fenômeno do assédio moral no ambiente de trabalho,
tem por pressuposto atingir diretamente a personalidade e identidade dos
empregados, o que reflete toda uma mudança de comportamento do mesmo,
levando-o a principalmente se dispersar como um todo da realidade cotidiana, e
diante disso se veem completamente desconcentrados nas atividades gerais,
tanto na própria vida familiar, como no local de trabalho.
Partindo deste pressuposto, o ato agressor da violência moral, trás
efeitos que repercutem de maneira ampla e diversa, dependo da reação de cada
indivíduo, contudo, de maneira comum, causa prejuízos ao bem-estar e
qualidade de vida das vítimas, afetando assim o funcionamento normal de vida
das pessoas assediadas.
E portanto, os efeitos nocivos da prática do assédio moral nos
trabalhadores, acarretam em novas tendências dentro do próprio local de
trabalho, tal como a dispersão das atividades laborais, a desconcentração, a
falta de criatividade, entre outros fatores, que acabam por desenvolver
consequências e danos que serão sentidos na empresa, ocasionando assim certos
prejuízos econômicos.
5.2 Consequências Econômicas do Assédio Moral nas Organizações
Não nos resta dúvida que a implicação de danos ao comportamento
humano natural de cada pessoa, vai gerar efeitos que serão sentidos em cada
local ocupado pela mesma, pois os aspectos disso são carregados no
psicológico e passam por conviver com cada indivíduo afetando diretamente
sua convivência com os demais e desempenho de suas funções nas atividades
como um todo.
E neste raciocínio, o ambiente de trabalho, não diferente dos demais
ambientes, porém de maneira mais acentuada devido ao grau de relacionamento
diário entre as pessoas, a quantidade de tempo em que as mesmas passam
juntas, e espaço em que são incumbidas de responsabilidade e funcionalidades, é o local propício as consequências do fenômeno do assédio moral, pois é em
grande parte neste meio que os assediados desencadeiam suas reações,
prejudicando principalmente seu desempenho profissional nas atividades
encarregadas.
Neste aspecto, não se faz possível a distinção entre os efeitos advindos
dos casos femininos e masculinos, sentindo a organização de forma geral as
consequência econômicas provindas do assédio moral no ambiente de trabalho.
A prática do assédio moral vai surtir efeitos econômicos à empresa
principalmente no que tange aos aumentos de custos, que surgem em
decorrência da queda de produtividade do trabalhador, pelas ausências
constante provindas de doenças, pela menor eficiência no serviço, entre outros.
Por conseguinte, estes fatores levam a uma alteração na qualidade do produto,
a falta de concentração dos empregados acaba culminando em acidentes de
trabalho e em danos aos equipamentos.
E desta forma, essas características acima abordadas quase sempre levam
ao desligamento dos trabalhadores a empresa, pois os mesmos não se veem em
condições aptas de desempenhar suas funções normalmente, o que implica
também em maiores custos, devido ao aumento de rotatividade de mão-de-obra,
gerando desta forma despesas com rescisões contratuais, e ainda custos
advindos da necessidade de treinamento e qualificação dos novos empregados.
Os prejuízos econômicos provindos do assédio moral não se encerram
porquanto. Há ainda, em caso de efetiva denúncia e concretização da violência
moral, os dispêndios necessários aos títulos de indenizações pelos danos morais
e materiais que o assediado venha a sofrer.
Faz-se interessante observar que todas essas situações descritas quanto
às consequências econômicas advindas do afeto a produção, bem como os
custos contratuais e de indenizações, irão de certa forma, repercutir na imagem
externa da empresa, podendo então ocasionar uma menor demanda pelos
produtos ou serviços da mesma. Ainda, se em caso de uma organização de
grande porte, que trabalhe com ações no mercado financeiro, a degradação da
imagem empresarial perante o público, vem a afetar também os valores das
ações da mesma. Como visto, são grandes os efeitos econômicos que o fenômeno em
questão ocasiona às empresas Contudo, as empresas privadas e os trabalhadores
assediados não são os únicos a sofrerem com tais prejuízos e consequências.
Em observância a situação de forma ampla, vê-se juntamente que o
Estado arca com boa parte dos resultados da prática nociva do assédio moral.
Como já mencionado são muitos os problemas de saúde advindos deste
fenômeno, e portanto o governo possui elevada participação neste processo, no
que se refere ao aumento dos gastos com a saúde pública, e então se analisa
que os aumentos de custos refletem também na ordem estatal, devido a
crescente despesa em decorrência dos problemas de saúde física e mental.
Não obstante, referente as despesas por parte do Estado, nota-se ainda
um significante aumento das aposentadorias precoces, que ocorre em função
dos diversos efeitos que as vítimas do assédio moral apresentam, e por vezes as
deixam impedidas de trabalharem devido as condições emocionais e mentais, e
assim a necessidade de serem amparadas pelo Estado.
Ademais, segundo demonstram pesquisas o maior percentual de assédio
moral se dá na ordem pública, fato que por si só já explica os relevantes
prejuízos no âmbito estatal.
Conforme discutido ao longo desta análise, desprende-se portanto, que a
prática do assédio moral no ambiente de trabalho é fenômeno negativo de
forma geral nas esferas ao qual corresponde, seja de forma direta ou indireta,
trazendo então danos as vítimas e consequências econômicas tanto na iniciativa
privada, quanto ao Estado.
Logo, faz-se imprescindível o combate intensivo ao assédio moral, haja
vista os inúmeros prejuízos já destacados, é então necessário a aplicação de
medidas pelas empresas, bem como pelo governo, visando a minimização dos
problemas decorrentes do mesmo.
5.3 Reação a Desigualdade de Gênero
Como já mencionado, o problema de desigualdade de gênero é fato
concreto que perpassa pela realidade cotidiana, e faz sentido sua relação com o desenvolvimento do assédio moral nas relações de trabalho, haja vista que em
determinadas situações o mesmo é decorrente da hierarquização, do domínio do
poder, e quando então o homem se acha nesse controle por sobre a mulher pode
vir ao desenrolar de violências morais, da humilhação, ou seja, uma
discriminação devido à desigualdade existente, às vezes nem sempre clara,
talvez disfarçada, porém ela faz parte do contexto que se vivencia.
Então, vê-se a importância da construção da igualdade de gênero, pois
minimizar os problemas enfrentados pelas mulheres é fator essencial,
indispensável e nada mais justo a ser feito.
As mulheres, perfeccionistas, batalhadoras, de extrema importância na
sociedade, capaz de desempenhar dupla função, no ambiente familiar e no local
de trabalho, não merecem ser englobadas por uma ideologia histórica
discriminatória.
Trata-se então de um problema de concepção, de conscientização social,
em que visando o bem comum se deve lutar pela construção da igualdade de
gênero, e assim, os resultados serão os melhores e mais justos possíveis, dando
às mulheres a devida igualdade merecida, tanto no ambiente de trabalho, como
na vida social como um todo.
5.4 Medidas Preventivas no Combate ao Assédio Moral no Ambiente de
Trabalho
Ao longo desta discussão sobre os resultados obtidos na pesquisa em
questão, notou-se que basta se ter uma maior percepção sobre o fenômeno do
assédio moral, para constatar que o mesmo gera efeitos e danos de inúmeras
ordens.
As consequências podem ser observadas nos trabalhadores, vítimas do
assédio moral, nas empresas privadas e no Estado, locais aos quais o mesmo se
origina e acaba por gerar maiores despesas em diversos setores, por
conseguinte, trazem prejuízos confirmados.
Desta forma, é evidente que o fenômeno do assédio moral é em geral
negativo, e se os efeitos decorrentes do mesmo trazem riscos a saúde e em consonância maiores custos e prejuízos, então nada mais necessário do que
combatê-lo em sua origem, e isto implica criação de medidas preventivas no
ambiente de trabalho que contribuam para não manifestação desta prática.
Como constatado a forma em que o assédio moral reflete nas
organizações, imaginar que tais instituições se comovam em prol do combate a
esta prática é fácil, desde que as mesmas tenham conhecimento das reais
consequências advindas.
Diante disso, esta é uma tarefa fácil de se unir interessados, contudo de
grande dificuldade em se obter excelentes resultados, haja vista que o elemento
em questão é o comportamento humano, subjetivo a cada um, mutável, e muitas
vezes imprevisto. Assim vemos que trata-se principalmente de um papel de
conscientização, que atinja de forma direta este comportamento humano.
Nota-se ainda que o assédio moral seja decorrente da falta de uma
adequada comunicação interna nas organizações, deste ínterim observa-se que
quanto mais desestruturada e desorganizada for uma empresa, maior as chances
à propagação deste fenômeno.
Daí a importância de um programa de prevenção, com a visão de se criar
um bom diálogo através da instalação de canais de comunicação
Neste enfoque, cabe portanto, que as empresas repensem sua forma de
organização do trabalho, bem como dos métodos utilizados na gestão humana.
Assim, o papel da empresa deve ter como objetivo a conscientização dos
trabalhadores em todos os níveis organizacionais, fazendo-os refletir sobre a
magnitude do problema e demonstrando a maneira com que esta prática pode
ser evitada. Desta forma, a organização de eventos, palestras, seminários,
dinâmicas, entre outros recursos sobre o tema, são de suma relevância para o
desenvolvimento desta conscientização.
Faz-se necessário também, a adoção de um código de ética para empresa,
que evidencie a crítica de todas as formas de discriminação, preconceitos, e
assédio moral, difundindo desta maneira a importância do respeito,
solidariedade, e da boa interação e integração entre todos. Além disso, a existência de um local específico para que o empregado  tenha onde discutir seus problemas, de citar fatos e ou situações ocorridas, de  relatar suas angústias, ou seja, um local de confiança, onde o trabalhador tenha  a ideal atenção merecida, é também interessante para uma melhor relação de  trabalho.
Portanto, verifica-se, que para o combate intensivo das práticas de
assédio moral, faz-se necessário a constituição de uma melhor relação entre os
empregados, de maneira que os englobem num ambiente de harmonia, fazendo
do local de trabalho um espaço de convivência mútua e solidária.
6 Conclusão
A conclusão do tipo de reflexão escolhida para perscrutar o presente
tema deste trabalho me parece extremamente clara após tudo o que já foi dito,
demonstrando e discutido.
Abordar a questão da mulher, quanto ao fenômeno do assédio moral nas
relações de trabalho, nos faz compreender a real situação em que as mesmas se
encontram, deparam, vivenciam, e enfrentam constantemente.
Esta é uma questão que nos faz pensar e recair, sobre o dilema da
desigualdade de gênero, que não se restringe em sua totalidade a esse fato,
porém sua existência nos leva a relacionar e compreender as incidências dessa
desigualdade nas relações de trabalho, e então nota-se que representa um
aspecto importante para a explicação concentrada da prática de assédio moral
nas mulheres.
Diante disso, se destaca aqui, a importância da luta pelo combate desta
ideologia histórica que os reflexos e problemas encontrados são claros, e
concentram-se em grande parte nas relações de trabalho, então a construção da
igualdade de gênero é fator indispensável para minimização destes problemas e
meio indissociável pela criação de uma melhor relação entre pessoas no próprio
ambiente de trabalho. Pois bem, verifica-se que a situação feminina no mercado de trabalho se em comparação a realidade dos homens, apresenta desvantagens, que se explica pela questão da produtividade e dos custos sobre encargos sociais.
Ademais, se vê que o fenômeno do assédio moral impacta negativamente
na sociedade, com efeitos e consequências sentidos em diversas ordens sociais.
O trabalhador, vítima de tal prática, tem sua vida afetada de forma
direta, pois os danos psicológicos oriundos desta violência moral refletem tanto
em sua vida profissional quanto familiar, trazendo-o assim maiores problemas
de saúde.
Desta forma, essa mudança no comportamento do empregado, devido a
incidência do assédio moral diretamente sobre seu caráter e personalidade,
reflete em consequências econômicas para empresa, que então desenvolverá
maiores custos relacionados a este fenômeno.
Outrossim, verifica-se ainda os efeitos prolongados também ao Estado,
que desempenhará maiores despesas com saúde, e aposentadorias precoces.
Assim, é comum observamos o assédio moral como um problema de
comportamento humano, que deriva inúmeros prejuízos no sistema econômico.
Então finalmente, o melhor a se fazer é partir ao combate intensivo desta
prática, através da formulação de um conjunto de medidas preventivas no local
ao qual o mesmo se origina, tendo por objetivo a conscientização pessoal e o
desenvolvimento de uma melhor relação humana no ambiente de trabalho, para
assim evitarmos a disseminação do assédio moral, bem como os problemas
decorrentes do mesmo.
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266p. Dissertação (Mestrado em Psicologia Social) – PUC, São Paulo, 2000.
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Alexandre Rui Neto - Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

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